O DELEGADO
Admito que quando ouvi do presidente Alexi Portela que o técnico seria Antônio Lopes, no lugar de Ricardo Silva, fiquei extremamente receoso. O último trabalho do delegado, no Avaí, foi péssimo e colocou a equipe catarinense bem próxima da zona de rebaixamento para a segunda divisão. Mas não é por isso que estou com um pé atrás e sim pelo fato do futebol ter se modernizado. Ele não.
Como meu amigo Éder Ferrari falou em sua coluna, escrita com muita lucidez, Lopes não saiu do lugar, parece que parou no tempo. Não estou querendo cornetar, de cara, mais sempre tive essa opinião sobre ele. Para mim, naquele título de 2005 com o Corinthians, o time foi montado por Márcio Bittencurt e não por ele, que pegou uma equipe toda organizada e voando em campo.
No Avaí, seu último clube, não teve sucesso e deixou o time perto da degola. Para se ter uma ideia, dos 27 pontos disputados sob o comando dos catarinenses após o período da Copa do Mundo, apenas três foram conquistados, despencando da terceira para a 16ª colocação na tabela. Além disso, alguns jogadores da equipe do sul reclamaram do seu jeito turrão, não muito bem aceito pelos boleiros. E é isso que me preocupa.
Os jogadores do Vitória estavam sob o comando de um verdadeiro paizão. Ricardo Silva, que errou muito nessa sua segunda passagem pelo rubro-negro, tinha um grupo, não todos, nas mãos. Muitos desses atletas o adoravam e outros queriam longe da Toca. Essa mudança radical de comportamento pode refletir no desempenho em campo. Além dessa mudança comportamental, haverá uma alteração no esquema de jogo. Lopes gosta de usar o 3-5-2 e é bem provável que ele já faça sua estreia desta forma.
Alguns atletas do rubro-negro estão precisando mesmo de uma pessoa que os oriente, que coloque ordem na casa, bastante bagunçada depois da final da Copa do Brasil. É preciso uma mudança fora de campo, porque, ao contrário disso, não haverá nenhuma salvação e o time seguirá rumo à Série B. Serão 10 jogos nos próximos dois meses e o rubro-negro vai precisar de muita força para superar esse desânimo que afetou o grupo.