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ABRAÇADO COM A MEDIOCRIDADE

O momento é de reflexão e de atitude. O problema é, com a cabeça quente e a exigência por urgência em mudanças, ter o sangue frio para fazer o certo. Parece simples consertar o que está errado no Bahia dentro de campo. Bastaria mandar embora uns cinco ou seis - Bruno Paulo, Pedro Beda, Luizão, Boquita, Tiago... – e trazer outra levada. Não é bem assim. Para dispensar, tem de pagar. Para contratar, nessa época de mercado gelado, precisa ter dinheiro ou sorte. Neste início de ano,diferente da incompetência, são duas coisas que o tricolor não tem. O que fazer?

 

Vejo muitos torcedores exigindo a utilização da gurizada que disputou a Copa São Paulo. É uma temeridade jogar a bomba no peito de meninos entre 17 e 19 anos que, com o trabalho bem feito, daqui a uns dois anos poderão formar a base da equipe. As pessoas acham que, basta ter talento para poder jogar. Dão o exemplo de Neymar e Cia. Não tem nenhum Neymar no “Esquadrãozinho”. Já falei aqui e repito: além da qualidade técnica, é preciso força física para encarar o tranco do profissional; força psicológica, e ter os fundamentos todos trabalhados. Base serve para isso: formar o jogador. O cara tem de chegar pronto no profissional. No geral, vão por mim, os garotos não estão preparados ainda. Que se ressalte bem o “ainda”.

 

Mas se a solução “ainda”, não está no bom time de juniores, o que fazer? Dispensar custa caro e, como a maioria dos jogadores veio de Vasco e Corinthians, intermediados pelo mesmo empresário, Carlos Leite, fica mais difícil. Vai jogar no lixo o “apoio” dos “parceiros”? Não tem jeito. Ou ele aceita ou ele aceita. A qualidade técnica é sofrível e, por incrível que pareça, o descompromisso é completo. Ou acham que ninguém está vendo a falta de tesão dos caras? Tirando uns três ou quatro, todos os outros jogam com uma preguiça irritante. Como eu disse em outro artigo, confundiram garotos com moleques, assim, pejorativamente falando. Sem falar que, fisicamente, o time não anda. É preciso uma sacudida para se desatracar da mediocridade.

 

Esse elenco foi mal formado em todos os sentidos. Apostaram em zagueiros com as mesmas características: brucutus e lentos. Os volantes também não empolgam. Rafael Jataí não passa de um Leandro mais novo: não amarra a chuteira de Fábio Bahia. Hélder segue sendo aquele jogador que nem fede e nem cheira. Boquita, que chegou cheio de expectativas, tem se mostrado burocrático e desmotivado. Os meias, que seriam o diferencial, não jogaram. Zezinho machucou, Ramon continua sem autorização e Magno já chegou quebrado. No ataque, imaginem, só Souza se salva. O goleiro Tiago, de injustiçado, passou a não ter mais clima nem para continuar no clube. Omar tem de ser titular já!

 

A responsabilidade é toda do departamento de futebol. Foram Marcelo Guimarães Filho e Paulo Angioni que apostaram nesse projeto atual. Com a demissão de Rogério Lourenço, o caminho ficou aberto para o planejamento ser mudado. O tempo é agora. Contudo, claro, as coisas precisam ser feitas com a coerência e o critério que não tiveram ao formar esse grupo. Assim de imediato, tem de assinar com Robert e agilizar de vez as regularizações de Tressor Moreno e Ramon. O último caso, de uma falta de ginga impressionante de todo mundo. O Bahia precisa deixar de esperar que os jogadores e os representantes, resolvam problemas burocráticos. Quase nunca dá certo e, quando dá, acaba refém.