O QUE É UMA APOSTA?
Posso estar “perdendo” meu tempo escrevendo este artigo para falar sobre um provável aposta do Bahia em Chiquinho de Assis, uma vez que, a qualquer momento, o clube pode atender aos anseios de boa parte de torcida e imprensa, por um treinador renomado. Por sinal, resolvi tocar nesse assunto quando, via Twitter, um tricolor me questionou após ler uma matéria com o presidente Marcelo Guimarães Filho falando sobre Chiquinho (ver nota). Contra a efetivação, Paulo Américo (@paulo_americo), bradou na linguagem “twiteira”: “Respeito o trabalho dele mas ainda n tem porte p / 1ª Divisão”.
Não demorei a perguntá-lo o que seria um treinador de Primeira Divisão. Minha pergunta pode soar sarcástica com a sequência deste artigo, mas não é. Como bem retrata Tostão em suas colunas, os treinadores hoje em dia são superestimados. Qualquer “professor”, de conversa bonita e quatro vitórias seguidas no currículo, cobra os olhos da cara e se acha mais importante que o craque. E a maioria dos torcedores acredita nisso. Para mim, sem querer ofender o Paulo, um cara como Geninho, que de 2005 para cá, passou por nove clubes (duas vezes pelo Sport), sendo demitido de todos, conquistando apenas três estaduais, não merece a pompa que tem. É a completa inversão do que é competência.
Muitos vão culpar a falta de paciência, de planejamento, de estrutura e, por fim, as circunstâncias do futebol. Concordo com tudo isso, mas, com um histórico recente como esse, ele não seria uma aposta do mesmo jeito? Se não deu certo, ou deu por pouco tempo, em nove clubes, por que seria uma certeza no Fazendão? Não é uma aposta da mesma forma que seria o Chiquinho? Que tal PC Gusmão que, em pouco mais de nove anos de carreira, passou por nada menos que 17 clubes - contando Vasco, Ceará e Cruzeiro, onde andou duas vezes -, e levou para casa apenas três troféus (estaduais)? Com todo respeito, onde está o “porte de Série A”? Seria outra aposta no escuro!
Não tive a intenção de constranger o Paulo ou denegrir a imagem dos treinadores citados, mas, para mostrar meu ponto de vista, só indagando desta forma. Acho que Chiquinho de Assis é uma aposta da mesma forma que seria Wanderlei Luxemburgo que, com o melhor CT do Brasil e um elenco milionário formado por ele, quase rebaixa o Atlético-MG. Até o grande Muricy Ramalho, recentemente maior ganhador de títulos no Brasil, teve uma passagem medíocre pelo Palmeiras. Futebol, parceiro, é bola na rede e, muitas vezes, funciona na base da malandragem e sorte. A palavra certa, dita no momento certo, leva uma equipe às conquistas. Renato Gaúcho não faz um treinamento tático e nem conversa a respeito, contudo, na resenha boleira com o grupo consegue, de alguma maneira, os resultados. Vá entender...
Sobre o trabalho de Chiquinho de Assis acho que, com oportunidade, autonomia e tranquilidade, ele teria sucesso. Conheço e acompanho várias pessoas que sabem tudo de futebol e, por isso, digo numa boa, sem medo de errar, poucas são mestres como Chiquinho. Com ele à frente do Bahia, temo apenas sobre uma possível ingerência vinda de cima ou no trato com jogadores mais rodados, que nunca ouviram falar dele. Contudo, conversando com o goleiro Renê, que trabalhou com o técnico em algumas partidas do Nordestão, fiquei ainda mais tranquilo. O arqueiro, com sinceridade, afirmou. “Vou falar pra você: o Chiquinho conhece muito! Foi o cara que mais conhece de tática que eu trabalhei. Pô, e a preleção dele? Fala o jogo todinho, mano! E ele é malandro, sabe lidar com os caras. Se deram autonomia, vai decolar!”.
Com tudo dito aqui, vai ter algum miserável para dizer que sou advogado ou empresário de Chiquinho. Está parecendo mesmo, mas, infelizmente, não sou. Tudo que eu falei referendando uma provável efetivação cairá por terra se não houver uma reformulação no elenco e boa vontade da torcida. Além disso, certeza de resultado ninguém tem. Chiquinho é muito bom, mas não faz gol, não rouba bola, não agarra, não canta nas arquibancadas, não contrata, não dá estrutura de trabalho, não comanda treino físico, não cuida de lesões, nem paga o salário. Não adianta ter um bom compositor, se a banda não souber tocar, o cantor for desafinado, o empresário não arrumar shows e a gravadora deixar de lado.