GAROTOS OU MOLEQUES?
Desde o início das contratações do Bahia para a atual temporada, elogiei a maioria individualmente, mas fiquei preocupado coletivamente. Uma coisa é você conhecer um jogador pela televisão ou pelo que a imprensa que cobre seus respectivos ex-clubes divulga, com o devido filtro. Outra é acompanhar o dia a dia, as brincadeiras, a formação das temíveis e destruidoras panelinhas. Tenho receio muito grande do que pode vir a acontecer com esse grupo formado pelo tricolor, se não houver uma reformulação urgente.
A demissão do treinador Rogério Lourenço foi correta. Era visível que ele não tinha o controle sobre o grupo e, na hora de armar o time, não sabia pra onde ir, principalmente nas substituições. Ficou sem clima e sem apoio. Contudo, colocar no colo do técnico a culpa exclusiva pelos resultados ridículos deste início de temporada é, no mínimo, buscar o caminho mais fácil. A preparação física me parece estar sendo feita sem critério. Por exemplo, Nen e Ananias, jogaram com pouquíssimos dias de treinamento. Tinha razão para isso? Todas as derrotas vieram por vacilos no segundo tempo. Falta ritmo, gás e tempo de bola. Basta ver os dois últimos gols do Vitória, na sapatada de 3x0.
Ano passado, o Bahia tinha muitos lideres. Jogadores experientes e que sabem controlar os mais jovens. Fernando, Leandro, Renê, Jancarlos, Morais, Fábio Bahia, eram os principais. Nen, apesar de capitão, não tem o estilo de botar a bola embaixo do braço e comandar o time. O espaço ficou vago e o grupo torto. Por isso utilizei esse título com um tom pejorativo neste artigo. Às vezes, dá raiva ver a falta de compromisso de alguns. Nos coletivos só faltam se matar nas divididas, mas no jogo entregam. Não basta ter talento, é preciso experiência, cabeça fria, vontade e responsabilidade.
Ainda não sei o nome do substituto de Lourenço, mas não adianta trazer José Mourinho se não mudar o planejamento inicial. Tem de trazer jogadores mais cascudos e mandar alguns descompromissados embora. Sei que não é fácil, mas a única solução é essa. O Bahia precisa de pessoas que chamem a responsabilidade. O goleiro Tiago precisa de um tempo fora, até como forma de preservar e, principalmente, por que Omar é melhor que ele. Thiego tem de ser testado na zaga, já que Nen, Titi e Luizão mostraram que estão bem abaixo ou, simplesmente, não conseguem render. Também reconheço que, por uma mistura de azar e incompetência, Rogério não pôde contar com Zezinho e Ramon, e ainda teve Boquita e Souza, menos no Ba-Vi, em condições físicas tristes. Mudanças radicais são precisas.