Modo debug ativado. Para desativar, remova o parâmetro nvgoDebug da URL.

Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias Holofote
Você está em:
/
/
Coluna

Coluna

JAEL

Pior coisa de ser um cronista ou crítico, como preferirem, é ter de “julgar” o comportamento das pessoas. Muitas vezes é chato, constrangedor, covarde e injusto. Mas, fazer o que? Quem está na chuva é para se molhar e ter de arcar com as consequências. Por isso venho aqui falar do caso Jael, pisando em ovos e com um nó na garganta. O atacante sempre me tratou muito bem e resolveu dentro de campo muitas vezes em 2009 e 2010. Em contrapartida, o fato de ter mostrado, mais uma vez, descontrole emocional. A idade (22 anos) justifica, mas não pode ser sempre o argumento. Passionalmente queria que ele ficasse: racionalmente não!

 

Vou começar pelo que pouca gente sabe e não foi explorado. A diretoria não tinha a menor intenção de manter Jael para a atual temporada. A grande prova disso é que o contrato vencia em maio e, em momento algum, a diretoria procurou o jogador ou o empresário para ampliar o vínculo. Houve o contrário, mas a resposta era sempre vaga, enrolada. Algumas mordomias (ninguém podia sentar no seu lugar, nem ao seu lado no buzu, por exemplo), falta de papas na língua, ausência em regenerativos, atrasos em treinos e a “máscara”, eram alguns dos argumentos da diretoria. O presidente não esconde que tem o atacante como um “traíra”, para ficar na linguagem boleira. “Jael nos deixou várias vezes na mão e sempre o recebemos de braços abertos. Ninguém sabia quem ele era antes de vir para o Bahia”, assim falou MGF, sem os recortes das perguntas.

 

Não sou contra Jael nem a favor de André Araújo. O fato é que, em um dia, o jogador cometeu várias indisciplinas. Não é por que o Bahia parece esculhambado, que tem de ser. Faltou a um exame e não justificou. Quando escutou que não poderia treinar enquanto não o fizesse, xingou – palavras do próprio jogador em entrevista a Jaílson Baraúna, na rádio Metrópole – e, na sequência da discussão, agrediu fisicamente, sem que o agredido revidasse. Uma pena, mas, com contrato apenas até maio, não via outra solução que não a dispensa. A repercussão é ainda maior, quando, no meio disso tudo, o time perde sentindo claramente a falta do “Cruel”. Nessas horas, exigir que a torcida entenda quebra de hierarquia e respeito ao clube, é sem nexo.

 

Contudo, o fato expôs uma situação altamente preocupante no Bahia. A diferenciação nos pagamentos. Não existe e o clube já pagou muito caro por isso. Em 2005, com o pai do atual presidente, o time caiu para a miserável Série C por culpa de alguns receberem e outros não. Uéslei recebia e o resto não. Pirados com a situação, alguns jogadores quebraram qualquer tipo de harmonia e a vaca foi, literalmente, para o brejo. Hoje, falta transparência e, muitas vezes, parece que a coisa é feita, intencionalmente, nas coxas. O Bahia ainda deve três meses a Jael e prometeu um aumento na época da proposta do Grêmio, em setembro. Como esse valor a mais foi apenas apalavrado, o “Cruel” ficou a ver navios. O profissionalismo tem de começar de cima, se não a dispensa de Jael soará apenas como uma hipocrisia ou pior, como oportunismo.

 

Me preocupa também a presença de André Araújo. Como o gerente, que faz o elo elenco/comissão técnica/diretoria, ficará com o grupo? Ele tem a obrigação de cobrar coisas “pequenas” do dia a dia e Jael era muito querido. Pode perder ou já perdeu o respeito e a autoridade sobre o grupo. É preciso uma atenção especial a situação. Apesar de ser o braço direito de Paulo Angioni, se isso acontecer, deve, obrigatoriamente, seguir o mesmo caminho do atacante.

 

Acredito que muito provavelmente ele não vai ler esse artigo, mas, ainda assim, deixo um conselho – não sou ninguém para isso, apenas um admirador do jogador – para Jael. Parceiro, você tem potencial para sempre estar em grandes clubes. No entanto, a perda da humildade e o excesso marra, além de criar problemas extra campo como essa demissão do Bahia, faz com que seu rendimento caia, e muito, dentro. Bote a cabeça no lugar e pense apenas em trabalho. Treine mais, se esforce mais, seja humilde, respeite a hierarquia e foque apenas em jogar bola. Fazendo isso, com o carisma que você tem, as coisas vão acontecer e você vai se tornar o que eu e muita gente sempre imaginamos: um atacante diferenciado. Um cara que trata a família como você trata, merece sempre o melhor. Boa sorte e obrigado!