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ESTREIA AZEDA

Fazer qualquer análise técnica e tática da estreia do Bahia no Campeonato Baiano seria, no mínimo, uma covardia. Com apenas 10 dias de treinamentos e 15 contratações, sem contar com a integração de vários garotos do grupo do Nordestão de 2010, cobrar entrosamento e variações de jogadas, contra um time que trabalha há mais de um mês, é ser mal humorado demais. No entanto, existem fatos a serem considerados, principalmente extra-campo.


  Primeiro vou falar sobre o time de Rogério Lourenço. Sem poder contar com dez jogadores e, praticamente sem entrosamento, a atuação foi até interessante. Contudo, Nen e Titi não podem jogar juntos. Ficou um buraco na direita, já que os dois só sabem atuar pela esquerda. Para piorar, se em forma o capitão anda passando sufoco, imaginem longe do ideal? Por isso, digo e repito: a gratidão será eterna, mas o veterano zagueiro não tem mais condições de agüentar o ritmo veloz das partidas. É um cara dedicado e que não se esconde – disputou 36 dos 38 jogos da Série B -, mas, no mano a mano e na velocidade, tem ficado para trás, infelizmente.


No meio de campo, a falta de ritmo foi visível. Rafael Jataí e Boquita ainda precisam melhorar muito fisicamente, mas mostraram qualidade, mesmo com o segundo meio sumido na maior parte do jogo. Hélder, quando Ramon e Zezinho ficarem a disposição, passará a ser uma peça interessante para o decorrer das partidas e nada mais do que isso. Sobre a dupla de ataque, por enquanto, acredito que as “Torres Gêmeas” mereçam uma sequência pela superioridade técnica com relação aos concorrentes. O grande problema é que, como bons homens de área que são, muitas vezes são egoístas e chutam todas. Vai faltar um pouco de dinâmica, mas o time tem outros ganhos, como a bola parada e as jogadas aéreas. Em Pituaçu, contra times retrancados, acredito que farão a diferença.


Agora chego ao ponto principal. Para que essa agonia para começar o Campeonato Baiano tão cedo, se não tem estrutura nenhuma para isso? Gramados terríveis, arbitragem confusa e sem critério, para não dizer outra coisa. Dizer que em todos os estados, menos São Paulo, é assim, e, por isso, justifica, é o símbolo da incapacidade e acomodação de quem deveria fiscalizar e cobrar melhores condições. A FBF diz que tem os laudos liberatórios dos estádios, os clubes colocam a culpa nas prefeituras ou governo estadual e, quem investe ou procura sua diversão, fica escravo de espetáculos sem graça e qualidade. Todo ano é a mesma coisa. Clubes do interior falidos e amadores e, os gigantes, sem conseguir se impor nacionalmente. Apenas duas vagas na Copa do Brasil, um time na Série A, outro na B, nenhum na C e dois, miseravelmente, na D. O retrato da mediocridade é esse!