IMAGEM DUPLA
Há algum tempo atrás, depois de uma noite mal dormida, acordei vendo tudo em dobro, o que me custou alguns meses de tratamento para voltar à normalidade. Os especialistas recomendaram três tipos de terapia: a medicamentosa, a de exercício muscular e a psicológica.
Na Medicina, essa dupla visão é diplopia, uma doença ocular, quando se tem a percepção de duas imagens a partir de um único objeto. No futebol, tão emocional, é muito natural diante de um mesmo assunto, que se configure esta enfermidade. Pior de tudo é que não são apenas entre os torcedores, mas, também, com os da imprensa e os que dirigem os clubes.
O atacante Nikão, jovem e ainda sem uma grande afirmação nacional, conseguiu alterar o nervo óptico de nossas duas maiores rivalidades: os torcedores do Bahia, que tanto anarquizavam, chamando-o de frouxo e preguiçoso, agora tem olhos de boas vindas; os do Vitória já começam a enxergar todo tipo de defeito. Cabe a Nikão, forçado a mudar de lado, mostrar o seu real valor.
Mas acho que só o tempo vai dizer com quem está a razão, embora já tenha uma parte muito errada nesta história, que é o presidente do Atlético/MG, que tirou Nikão da Toca na marra, mandando-o para o Fazendão, como represália porque o Vitória não lhe cedeu, a troco de banana, uns dizem que foi o lateral Nino, nos planos para uma negociação mais rendosa no futuro, outros falam que foi o atacante Elkeson, já negociado com o Botafogo.
Visão dupla é isso mesmo, talvez seja essa a causa tão apaixonante do futebol.