EFEITO DA BIPOLARIDADE
Agora, é o Vitória quem vive o seu inferno astral: mesmo líder de seu grupo no Estadual, praticamente assegurado para a segunda fase da competição, pesa-lhe a decepcionante estatística de um mísero empate nos três últimos jogos, com a agravante de que perdeu o clássico e foi eliminado precocemente da Copa do Brasil, torneio que lhe deu status no ano passado, quando chegou à decisão contra o Santos.
A bipolaridade do futebol tem essas agravantes. Todas as atenções do público, todos os anos, estão sempre voltadas para Bahia e Vitória – e esta rivalidade é que mantém ainda o nosso pobre futebol vivo e atraente, porque se um vai bem o outro vai mal – e invariavelmente nunca os dois vão bem, havendo até momentos em que ambos não agradam as suas torcidas.
Em Minas e Rio Grande, onde o futebol se centraliza também em dois grandes times, há a diferença de que lá, Inter e Grêmio têm sempre um leque maior de oportunidades, inclusive a Taça Libertadores, certames onde já fazem sólida história.
O Vitória de hoje passa a sofrer as críticas do Bahia de ontem. Seu empate (0x0) e a consequente eliminação da Copa Brasil contra Botafogo/PB expôs ainda mais as suas deficiências, deixando a torcida incrédula quanto à conquista do pentacampeonato local e disputa da Série B;Já o Bahia, após o triunfo no segundo clássico e a passagem folgada sobre o São Domingos/SE (5x1), é como se tivesse acionado todas as luzes da recuperação – e nem o fato de ainda necessitar sair do grupo do torneio da morte no estadual preocupa os tricolores, que já confiam que, daqui em diante, a trajetória será vitoriosa.
Essas duas próximas rodadas vão determinar verdades ou mentiras dos dois times. O Vitória tem um teste decisivo neste domingo, em casa, contra o Bahia de Feira, que tem sido a equipe mais ajustada do campeonato; o Bahia vai a Feira pegar o Flu, que já lhe causou danos consideráveis em Pituaçu, quando ganhou por 2x1, de virada.
Há fatos, contudo, que são inquestionáveis: o Bahia, com a chegada de Vágner Benezzi, mostra evolução; o Vitória, com a derrota diante do Botafogo/PB, no primeiro jogo da Copa do Brasil, parece haver entrado em depressão. E os rubronegros já começam a fazer as contas dos percentuais obtidos pelo experiente Antônio Lopes, achando que já é momento de mudar.
Sobre a eliminação do Vitória da CdoBr, pouco a acrescentar: o time de Lopes perdeu nos pés de seus atacantes, que foram incompetentes, e nas mãos do goleiro Genivaldo, que teve um segundo tempo iluminado.