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REI MORTO, REI POSTO

É impressionante como esse milenar adágio funciona aqui na Bahia, principalmente no futebol. Foi só o atacante Jael, “o Cruel” e “Matador” mostrar as suas armas extra-campo, dando bordoadas em um dirigente e tendo que ser sumariamente demitido, logo os seus maiores súditos encontraram mil e um defeitos para justificar o seu banimento do Fazendão.

 

Agora, o bom e simpático Jael, que tanto amava o Tricolor, leva a pecha de truculento, inconveniente e inoportuno em suas cobranças de salários, péssimo usuário do twitter, porque toda vez que o fez foi com textos cheios de erros, desrespeito aos adversários e juras de amor mentirosas.

 

Entendo que, em tudo na vida, fica sempre um grande exemplo para quem gosta de aprender e se reciclar. Quando Jael ficou fazendo o Bahia esperar o desfecho de algumas propostas (Grêmio e Vasco) para poder voltar, neste início de ano, ficou bem claro que o seu relacionamento com o clube era meramente profissional – e quando disse isso aqui, um idiota passou e-mail protestando contra meu ponto de vista.

 

Ingênuo quem ainda pensa naquele futebol romântico, em que Garrincha morreu pobre por amar tanto ao Botafogo, que nunca quis sair de General Severiano; que  Nilton Santos, também do Glorioso Alvinegro, vive hoje da caridade alheia, porque até brigava quando algum outro clube queria o seu extraordinário futebol. Aqui tivemos vários exemplos: Baiaco, Biriba, Tinho, Tombinho, Pepeta... Atualmente, o próprio rigor dos tempos modernos exige um comportamento mais profissional, quase sempre com desfecho áspero e de inimizades, porque ninguém gosta de perder.

 

Entendo que o Bahia agiu certo – e foi mais feliz ainda quando o diretor agredido, André Araújo, pediu para sair e já não está mais no Fazendão. Afinal, sua permanência no clube seria o mesmo que manter a pólvora perto do fogo: cada vez que houvesse um desentendimento dele com qualquer jogador,  as explosões seriam muito mais imediatas e traumáticas.

 

O que o Bahia precisa é contratar logo um outro goleador para justificar o rei morto, rei posto. Pode até não ser muito cruel, mas que seja bom matador.