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O FAVORITO

Em todas as competições, sempre há um favorito – e neste estadual que vai começar, a bola da vez é o Bahia. Por vários motivos: a empolgação de haver subido de divisão nacional, o rebaixamento do seu maior adversário, as perspectivas de muito mais recursos, as diversas contratações já concretizadfas, pelo menos a metade de valor inquestionável e a outra de apostas compreensíveis.

 

Há, contudo, uma grande necessidade de cautela. Nem digo sobre a euforia dos torcedores, porque estes, que já contam como favas contadas, apenas desempenham o seu verdadeiro papel de apaixonados. Eles podem e devem jogar pelos ares esta confiança. Mas os dirigentes, o treinador e os próprios jogadores terão que ser previdentes.

 

Há  quase uma década, o Bahia entra com a certeza de conquista e, depois, vê o seu adversário subindo no pódio – e em 2006, não apenas o Bahia, mas, também o Vitória, tiveram que aplaudir o Colo Colo que, de insignificante no início de jornada, passou a ser a dor de cabeça de todos os concorrentes, rodada sobre rodada – e merecidamente levantou a taça.

 

Não vou entrar em análises precipitadas sobre a qualidade dos reforços tricolores, mas acho que a responsabilidade é imensa à medida que o clube não apenas se reforça, com três ou quatro grandes craques, mas contrata praticamente um elenco de jogadores, do goleiro aos atacantes, chegando a quase duas dezenas de novas aquisições. Vai ser preciso, além de uma grande maioria jogar o que se espera, que o novo treinador, Rogério Lourenço, encontre logo a formação ideal de um time competitivo e que justifique o favoritismo que todos credenciamos ao Tricolor.

 

Afinal, cai sobre os ombros dos bicampeões nacionais o forte trauma de não conquistar títulos desde 2002, quando foi campeão do Nordeste – e isso só o caminhar dos jogos poderá superar ou não. E tem mais: não perder o senso crítico sobre o Vitória, que, rebaixado da elite e tão criticado até pela sua torcida, pode continuar sendo o maior de todos os empecilhos a essas pretensões.