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ATÉ LOGO, RAMON

Tenho um forte pressentimento que Ramon Menezes ainda volta ao futebol baiano, nem que seja como executivo ou treinador. Se eu pudesse aconselhá-lo, diria que já é tempo de tomar um curso de gestão esportiva e de técnico, porque bem poucos carregam o conhecimento, a postura e o respeito deste rapaz.

 

No futebol temos visto ex-jogadores, que no passado foram problemáticos, atualmente gozando do respaldo de dirigentes como preparadores de times ou gestores de futebol profissional. São muitos e muitos, estou seguro de que qualquer um pode enumerar uma dezena deles. Ramon sempre foi diferente desses caras, com ficha limpa, nunca provocou qualquer tipo de encrenca para os clubes por onde passou. E no Vitória então foi um exemplo como bem poucos: disciplinado, pontual, solidário, líder positivo, craque que tirou o clube de várias dificuldades. Um chefe de duas famílias, em sua casa e com os companheiros nas concentrações e nos treinamentos.

 

Não critico o Vitória pelo desfecho que deu, descartando-se do seu grande ídolo de ontem, cujo único pecado parece ser o peso de 38 anos, embora ainda existam profissionais, sem o mesmo comportamento e as mesmas intenções, ganhando fábulas em outros times brasileiros. Acho, porém, que teria sido mais justo se os dirigentes acenassem a possibilidade de um outro cargo dentro do clube, até porque Ramon é respeitado em todas as categorias do futebol. Se o Vitória quer rejuvenescer o seu elenco, então não pode ficar pensando mais em outros veteranos.

 

Enfim, no momento em que Ramon Menezes se despede da torcida, dos dirigentes, do clube onde verteu tanto suor – e da imprensa, pela qual sempre mostrou grande respeito -, é minha obrigação expressar a profunda admiração que sempre tive por este ídolo.

 

Um ídolo que não foi aplaudido apenas pelos rubro-negros, mas pelos baianos e brasileiros, por nós cronistas, pela sociedade em geral. Sua carta de despedida é, antes de tudo, uma peça literária e de bom caráter.que a crônica imparcial e os torcedores de nível devem guardar em seus arquivos e na própria memória.

 

E por todas essas coisas, não lhe dou adeus, Ramon,  mas um até logo. Porque para gente de sua qualidade estamos todos sempre de portas abertas e esperando por sua inesgotável competência.