É MELHOR ESPERAR
Esse negócio de comentarista que se apressa em furar os repórteres é o mesmo que goleiro jogar na linha e atacante no gol. Prefiro esperar as contratações de nossos clubes para, depois, opinar. Afinal é para isso que me remuneram com alguns caraminguás.
Falar nisso, dentro de pouco tempo a profissão de comentarista vai acabar, ainda bem que já recebo uma pequena aposentadoria, reconheço estar no ocaso de carreira e se ainda perduro é por insistência também dos chefes de jornais e rádios, que atendem uma boa parcela dos torcedores e ainda confiam no que digo e falo. Porque, convenhamos, o que tem de gente opinando principalmente no rádio, dá para assustar.
O pior de tudo é que alguns destes críticos de última hora, revoltados por não exercerem a profissão, xingam, anarquisam, caluniam, denigrem a imagem não apenas de dirigentes e jogadores, mas, também, dos verdadeiros cronistas em atividade. Eu já disse e repito, sem qualquer cerimônia: há três tipos de gente que abomino, que são os fanáticos da religião, os da política e os do futebol. São todos desequilibrados e idiotas, muitos deles satânicos. Mas há, não resta dúvida, embora em quantidade bem menor, os que opinam com coerência e que respeitam velhos e novos profissionals que escolheram a comunicação como seu ofício profissional.
Mas, sem entrar nessa dos que dizem portais eletrônicos oficiais ou piratas, sobre contratações bombásticas a cada cinco minutos (e nenhuma delas se confirma!), eu prefiro esperar. Agora mesmo, a contar pela possibilidade de ter Souza (Corinthians), Vandinho (Avaí) e Léo Gago (Coritiba) e Nunes (Vasco), já no Estadual 2011, o Bahia começa a formar um time com status de primeira divisão. São jogadores de qualidade comprovada. E se o Vitória mantiver a base e trouxer uns oito reforços de valor, poderá enfrentar os rigores da segunda divisão – e os dois serão os mesmos favoritos de sempre no campeonaro baiano.
O que não acho interessante é a borbulhante euforia de alguns companheiros ao informarem que Souza está vindo para o Tricolor por R$ 300 mil, metade paga pelo Bahia, outra pelo Corinthians. Isso revela uma grande pobreza, ou melhor, uma inquietante dependência.
Porque quem tem projeto próprio e independente quando compra, paga e não fica esperando pela ajuda de rivais ou concorrentes – e o Timão será um adversário em potencial do Bahia na próxima primeira divisão.