ALEGRIAS E TRISTEZAS
Outro dia, chegava em meu correio eletrônico um desses textos maravilhosos de autor desconhecido, cujo primeiro parágrafo dizia q ue “nem tudo são flores, nem tudo são lágrimas, pois as vitórias de hoje podem ser a cama do pesadelo de amanhã, enquanto as derrotas atuais podem ser o nascedouro de grandes alegrias”.
Só depois de muita pesquisa e grande esforço é que fui entender que “tudo” sendo um pronome indefinido, usado de forma imprecisa ou genérica para representar pessoas, coisas e lugares, dando igualmente a idéia de quantidade indeterminada, tanto pode ser conjugado no singular quanto no plural. Depende de cada expressão.
Então, em 2010, nem tudo foram lágrimas para o Bahia, que perdeu o Estadual, teve uma participação pífia na Copa do Brasil, não se classificou entre os quatro finalistas do Campeonato do Nordeste, teve que enfrentar o seu sétimo campeonato fora da Série A, mas tudo foram flores ao conseguir o objetivo da ascenção à elite nacional. E tudo agora é uma merecida e compreensível festa.
Já o Vitória, onde tudo foram flores nos tetras do Estadual e do Nordeste, além de finalista da Copa do Brasil (segundo melhor entre 64 clubes nacionais) e o direito de disputar uma Copa Sul-Americana, acabou tendo que enfrentar um Natal de tristezas e lágrimas, porque o rebaixamento no Brasileirão é uma cicatriz que pode perdurar anos a fio. E tudo é tristeza. Os bons resultados da temporada estão coisificados pela sua própria torcida, irremediavelmente sepultados até que algo expressivo e consolador possa acontecer.
Como cronista - que me perdoem a pretensão de tentar influir na opinião pública -, venho hoje, com o Vitória sucumbido em cinzas e o Bahia efervescente mas suas comemorações, lembrar que o perigoso jogo da sobrevivência não se acaba em um ano nem nestes eventos, porque abrem-se novas oportunidades para todos. Não há glórias nem fracassos definitivos.
Há, sim, uma receita sem muitos atalhos, para se manter sempre entre os vencedores e festivos: é a força de um trabalho muito bem planejado e permanente, porque assim os momentos de depressão serão insignificantes para grupos e instituições que têm lugar certo e merecido no cenário de suas competições , como os nossos Bahia e Vitória, pois o Ba-Vi jamais poderá morrer.