O TRIUNFO DA LÓGICA
Não foi preciso armar nada, nem implorar aos dirigentes da CBF, nem virar a mesa de regulamentos e normas, por ser um dos clubes mais populares e rentáveis do país. O Bahia sofreu sete anos, andou por campos acanhados e passou por aventuras incríveis, mas está de volta pela porta da frente, sem deixar qualquer tipo de dúvida que foi um dos mais competentes e merecedores da grande festa de sua torcida e do respeito de seus adversários.
Viram qual é a receita para se reconquistar o espaço perdido? São vários ingredientes, mas todos muito pertinentes dos que realmente buscam o sucesso sem arroubos e sem deslizes. E todo esse martírio de quase uma década, em lugar de diminuir a força e a tradição tricolores deve, sim, servir de um apreciável aprendizado para que a instituição, com os mesmos pés fincados na união de todos, possa manter-se firme entre os melhores, pois em um momento que tanto falamos em sustentabilidade, este é um exemplo marcante de como se fazer do equilíbrio a arma definitiva de uma história.
Esta excelente vitória sobre a Portuguesa e esta ruidosa festa foram o coroamento de uma campanha em que o Tricolor sempre procurou somar d suas forças técnicas e admininistrativas ao seu fantástico povão. As desavenças foram arquivadas, os dirigentes não se afastaram de suas linhas de comando, o presidente Marcelinho Guimarães sempre agiu com muita dignidade, a torcida soube entender desde cedo o seu papel de sustentação, enchendo estádios, mas agora sem as histerias e os descontentamentos de anos anteriores. Todos, todos mesmo, se engajaram no projeto de voltar à primeira divisão – e isso foi ficando cada rodada mais latente.
A contratação de Paulo Angione, um gestor famoso e muito competente, mas que praticamente não apareceu muito na mídia; foi, sim, o eixo de equilíbrio de vitoriosa jornada, pois além de fazer excelentes contratações, foi firme em todas as suas decisões diante do grupo – e até mesmo a contratação de Márcio Araújo para substituir Renato Gaúcho foi um gol importante. Renato teve a sua eficiência, mas andava muito desgastado com certas atitudes arrogantes e de excessivo poder.
O apoio da Divisão de Base, a sempre muito brilhante ação do Departamento Médico, a eficiência do Departamento Físico, os rumos seguros de apoio logístico, com reaparelhamento do CT e todo tipo de medidas administrativo-financeiras diante do grupo foram fundamentais para esta ressurreição. E a torcida? Ativa, participante, fanática, recordista. Tudo que se disser é muito pouco para expressar a grandeza de sua força nos estádios e nas ruas.
Por tudo isso e por todos os méritos, parabenizo aos tricolores, velhos e jovens, ricos e pobres, de todos os postos de ação, de todas as crenças, de todas as raças e de um só ideal que é o Esquadrão de Aço.