CRÍTICAS CONSTRUTIVAS
Como conheço bem o meu ambiente de trabalho e o sentimento que rege as pessoas que lêem meus artigos, não fiquei nem um pouco surpreendido com algumas reações contrárias ao conteúdo do último texto. Dirigentes e torcedores de futebol têm uma dificuldade absurda de diferenciar as críticas construtivas, das depreciativas. A minha intenção foi apenas deixar o sinal de alerta ligado. Não é por que o Bahia subiu que as coisas estão a mil maravilhas. A empolgação no meu caso, jornalista, não pode, nunca, suplantar a razão. Infelizmente, mas ai é da natureza humana, quem tenta ser realista em um momento de conquista, é tachado de maluco, tumultuador, moleque, ou jocosamente, de estagiário...
Para quem não entendeu ou apenas não aceita críticas, a minha intenção com o artigo “O errado que deu certo”, foi unicamente alertar. Jornalista serve para isso, não é verdade? Só tenho a esclarecer a questão dos salários a cada 55 dias. Para ser mais objetivo, o pagamento no Bahia funcionou da seguinte forma: o mês de janeiro foi pago no dia 4 de março e fevereiro no dia 3 de abril, por exemplo. Na semana que iriam completar dois meses de atraso, ficavam em dia. Entenderam agora? Pois bem, alguns dos argumentos contra o texto ficaram sem sentido após os últimos acontecimentos no tricolor. Não vou nem me aprofundar na Assembléia de Geral para aprovação das contas, por que é “chover no molhado” e exigir demais de algumas pessoas. Marcelo Guimarães Filho não cansa de dizer que é um cara democrático, mas, na prática, em alguns casos e departamentos, fica só no discurso, infelizmente.
O que me deixou mais abismado foi o ocorrido com o goleiro Fernando. Com a justificativa de o orçamento estar apertado para 2011, o gestor Paulo Angioni informou ao jogador que não contava mais com ele. Acontece que era um dos salários mais baixos do elenco atual. Contratado por dois anos em 2009, o arqueiro manteve os mesmos vencimentos desde então. Fernando foi dispensado pelo disse me disse. Disseram que ele foi um dos lideres de um suposto motim devido ao não cumprimento da promessa de pagar outubro no dia 15. Os boatos, que partiram de pessoas do próprio Bahia, transformaram a festa do acesso em um clima de rebaixamento. Sendo verdade ou mentira, a diretoria, jamais, repito, jamais, deveria soltar a fumaça para a imprensa, ainda mais de maneira covarde, “em off”. As coisas não podem ser assim. No final das contas, só quem sai prejudicado é o clube, que se queima no mercado e deixa os torcedores cabreiros com o futuro.
Poderia ter finalizado esse artigo no parágrafo acima, mas preciso tecer mais algumas opiniões. Críticas construtivas nunca são demais. Existem problemas que devem ser resolvidos internamente. Se a imprensa descobrir, ai tudo bem, o clube deve ter transparência. Essa palavra, aliás, sempre é representada em linhas tortas. Os fatos mostraram que o clube ainda está longe da profissionalização desejada. Falei e repito: o presidente precisa afastar os “amigos” das decisões internas no Fazendão. Deixe para os funcionários especializados e remunerados essas responsabilidades, quem são deles. Pode reparar que, toda vez que os “amigos” entram em cena, desculpem o terno, acontece merda! O disse me disse já colocou o Bahia no buraco outras vezes. Impressionante como, o mesmo grupo que derrubou da última vez com incompetência e fofocas, em 2003, continua fazendo o mesmo desserviço. A única intenção é aparecer e usar o clube para buscar interesses pessoais. O Bahia não precisa disso! A resolução para isso é simples, presidente.