OS PERIGOS DA LIDERANÇA
A imagem que a tevê mostrou, quando terminou o primeiro tempo, de um gorducho torcedor agarrado ao alambrado, olhos fixos para o além, engolindo saliva amarga, foi o retrato de um Bahia que parece só ter levado para campo o rótulo da liderança, porque esqueceu os fundamentos de um time que, em três rodadas anteriores jogou um futebol competitivo e que por isso já era tido e havido não apenas como um futuro primeira divisão mas, também, maior favorito ao título da Série B.
O Tricolor foi acanhado, não soube sair do enredo tramado pelo Vila Nova, quando criava chances concretizava de forma muito equivocada, até que surgiu aquela oportunidade inesperada no finzinho para o Adriano empatar. Na verdade, os mais de 30.000 tricolores que lotaram Pituaçu, sofreram o tempo todo, porque, paixão à parte, sempre viram em campo dois estilos bem distintos: um, o do Vila, bem definido, de defesa e meio-campo compactos e dois atacantes rápidos no contragolpe; outro, o do favorito, sem lucidez, com um jogo previsível, só mesmo calcado naquela velha história de que, enquanto ainda há jogo, nada está perdido – e o empáte foi uma nova constatação desta máxima, porque antes dele acontecer o time goiano, que vinha de uma série de quatro triunfos seguidos, teve chances de matar o jogo por duas vezes.
Continuo considerando o Bahia um dos grandes favoritos à elite, até mesmo com grandes possibilidades de chegar em primeiro, só que este novo atropelo em Pituaçu bem que pode servir de alerta, para não se exagerar em euforia, até certo ponto compreensível entre os torcedores, mas imperdoável para o time, que deu a impressão haver entrado em campo confiante de que, quando bem entendesse, poderia fazer os gols e chegar a um triunfo consagrador.
A zaga do Bahia continua vulnerável, ainda bem que acaba de ser anunciado um novo zagueiro (Luisão, do Cruzeiro) para ver se dar mais sustentação ao setor. O importante é que Márcio Araújo enxergou essas coisas, fez uma leitura muito corente do rendimento do seu time, e o Bahia, mesmo com o empate, continuou muito bem situado na tabela, agora, como vice-líder, a dois pontos do Coritiba.
De tudo mesmo, fica a lição de que a liderança de um campeonato tão equilibrado como este sempre apresenta grandes perigos. Porque as quatro vagas ainda estão em aberto pelo menos para oito equipes (Bahia, Coritiba, América/MG, Ponte Preta, Figueirense, Sport, Portuguesa e Náutico), que lutam, ponto a ponto, para ascender à primeira divisão.