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QUESTÃO DE JUSTIÇA

Se há um fator que não pode ser subestimado é o tempo. Em todos os momentos da vida. Quando se espera ou quando se promete respostas, quando se avaliza ou quando se desacredita de alguém ou de alguma iniciativa. Ou quando se retrocede para reparar erros e corrigir desníveis.

 

A volta de Ricardo Silva antes de tudo é uma questão de justiça, porque entre todos os técnicos destas duas últimas temporadas, ele foi o que apresentou maior índice de sinergia com o time – e desta vez é bem provável que até os torcedores mais contundentes, que não gostam de valorizar profissionais formados no clube, sintam que chegou o momento da compreensão e do apoio. Toninho Cerezo até que poderia ser útil, mas neste momento é mais aposta do que Ricardo, já muito identificado com o atual elenco rubro-negro.

 

Discordo de alguns companheiros que entendem medir a capacidade de jogadores e técnicos pelos salários que ganham ou pela bagagem de fama que carregam nas costas. O futebol atual, onde há um grande equilíbrio de forças e a ciência à disposição de muitos, o que vale mesmo é o trabalho de cada um e, além disso, uma boa dose de bom entendimento com companheiros, sejam técnicos e jogadores ou apenas na própria formação dos times e de seus esquemas.

 

Ricardo Silva, um carioca cujas melhores oportunidades aconteceram no próprio Vitória, parece encarnar a imagem de um comandante simples, sem as afetações dos grandes estrategistas, mas que resume a força e o desejo do grupo de jogadores. Foi assim todas as vezes que assumiu o comando do Vitória, e não será diferente agora, porque já contra o Flamengo deu para sentir a garra, a força de vontade e a alegria do time jogar. Só não ganhou dentro do território inimigo por uma questão de detalhes, mas que a apresentação foi satisfatória e promissora, isso foi.

 

Já  analisaram as situações de Luis Felipe Scolari no Palmeiras e Wanderley Luxemburgo no Atlético? Salários acima de meio milhão de reais, jogadores de ponta, desempenho pífio. Aliás, o que se sabem é que ainda estão sendo tolerados, só por causa da fama internacional que apresentam, porque nem tática nem disciplinarmente desempenham um papel condizente com as expectativas que trouxeram ao Verdão e ao Galo. Felipão hoje parece um senhor aposentado, sentado em sua cadeira de comando, vendo o tempo passar. Luxemburgo não consegue segurar as rédeas de seus cavalos alazões.

 

Se derem apoio e tempo a Ricardo, ele tira o Vitória deste mormaço de uma zona muito perigosa e, pelo menos, o time não passa o vexame de cair para a segunda divisão. Por enquanto, esta deve ser a meta. Negócio de Sul-Americana é coisa para o futuro.

 

Mas só o tempo vai mostrar essa situação, não adianta apressar os fatos, para não voltar a se cometer o terrível erro que fez desembarcar em Salvador o destemperado Toninho Cecílio. E foi muito providencial que o mentor desta tragédia, o Carlito Arini, também já tenha arrumado as malas e se despedido da Toca.

 

Sem Cecílio e sem Arini, agora com Ricardo, acho que o tempo vai trazer bons frutos ao nosso tetra-campeão.