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OS CULPADOS II

Como prometi em meu último artigo, vou dar sequência e mérito aos culpados pelo retorno do Bahia a Primeira Divisão. No desenvolvimento anterior, fiz questão de falar sobre os jogadores. No final das contas, quem resolve são eles, mas a engrenagem toda tem de funcionar bem. O Flamengo, campeão Brasileiro em 2009, foi uma aberração. Nesta temporada tem mostrado sua verdadeira cara: faltam estrutura, organização, planejamento e tranquilidade para trabalhar. Moral da história? Corre risco de rebaixamento. Ganhou por que tinha craques (Adriano e Petkovic) em grande fase e não por ter se planejado para isso. O caso tricolor é diferente.


Apesar das muitas escorregadas – contando com jogadores para os juniores e o grupo dois, foram quase 50 contratações – no planejamento, a profissionalização foi ponto crucial. Mas ai eu faço uma ressalva: depois da chegada de Paulo Angioni e a saída de Renato Gaúcho. Vou falar logo do treinador. Para muitos, ele teve uma importância muito grande neste acesso. Discordo completamente! Teve seus méritos, como a visibilidade de seu nome - o que abriu algumas portas ao Bahia -, as cobranças por organização no departamento de futebol, e a força que deu para a vinda de Morais. No último caso, compensou as indicações de Abedi, Rafael e Mateus, por exemplo. O sucesso atual no Grêmio, nada tem a ver com o trabalho no Fazendão. A torcida tem de saber separar bem as duas coisas e recordar da falta de padrão na época do ex-craque.


Muitos vão dizer que eu peguei pesado com Renato. Pode até ser que, por estar lá no dia a dia e acompanhar o desleixo do gaúcho nos treinamentos, não tenha a condescendência dos torcedores. O jeitão do sujeito, realmente, encanta os desavisados. É uma figura do bem, que merece o sucesso. Questiono apenas os métodos de treinamentos e de lidar com as derrotas. Seu substituto tem um estilo completamente diferente. Márcio Araújo pegou um bando e deu uma cara de time. Não vai fechar o ano com a melhor formação técnica, mas deu um padrão tático impensável na época de Gaúcho. Com seu estilo agregador, o boa praça deu ainda mais união a um grupo já fechado. Pecou em alguns momentos, tentando administrar a vaga no G4, mas acabou que deu resultado. Pegou um elenco praticamente desconhecido e teve de dar uma cara sem tempo para treinar, e com muita pressão. Merece o crédito dado.


Finalizo falando sobre o já citado Paulo Angioni. Antes de sua chegada, o departamento de futebol era, como costumam dizer, “uma África”. Não tinha organização e comando. Pode parecer simples, mas o que ele fez resolveu muita coisa. A começar por tentar colocar cada um no seu lugar. No Bahia, todo mundo dizia fazer tudo, contudo, a maioria não fazia nada e ainda reclamava. Era uma adaptação da máxima criada por Vampeta: “Você finge que manda e eu finjo que obedeço”. Angioni centralizou as decisões, afastou os “Perus” e colocou os “come e dorme” para trabalhar. Ou seja, profissionalizou e o resultado foi visto no campo. Os jogadores se preocuparam apenas em jogar e o treinador em treiná-los. Ponto para o presidente Marcelo Guimarães, que deu autonomia de trabalho ao gestor. Para a próxima temporada, ela tem de ser mantida.