IMPLOSÃO E JOGOS
Um domingo de lágrimas pela implosão dos restos da velha e querida Fonte Nova, mas de muita alegria da torcida do Bahia, que viu o seu time fazer no sábado seu melhor jogo na segunda divisão. Ganhou da Portuguesa de 4x2, poderia ter sido o dobro, porque desta vez o Tricolor jogou como time grande, mesmo no alçapão da Lusa, não tomando nenhum conhecimento de sua invencibilidade dentro de seu santuário. Jael foi ótimo, Morais muito bem, todo time jogou com uma personalidade de vencedor. E o esquema com Márcio Araújo já tem uma cara muito mais agradável.
Já o Vitória, à tarde, encontrou além de um Corinthians empurrado por um Pacaembu lotado uma arbitragem que cometeu dois lastimáveis equívocos: deixou de marcar um pênalti e anulou um gol que poderiam alterar completamente o resultado do jogo. O Leão teve um futebol valente, não se intimidou com o Timão e, mesmo com a estranha mudança no time, que entrou com o garoto Gabriel na lateral-direita e Eduardo na esquerda, o 2x1 para os paulistas foi um resultado que não traduziu bem a partida.
Gabriel, que é de origem zagueiro de área, já jogou de lateral em uma emergência, quando Nino se lesionou naquele jogo de Copa do Brasil contra o Santos, mas, com certeza, se o Toninho Cecílio, que já foi forçado a estrear o Thiago Martinelli (bom zagueiro), tivesse mantido Eduardo e Egídio nas laterais, não estaria agora amargando aquele vacilo do garoto, quando espanou a bola justamente para o atacante que fez o segundo gol. Mas não se pode dizer que o Vitória tenha feito um futebol ruim e que merecesse tamanho castigo. Atacou, jogou de peito aberto, criou até mais chances reais do que o adversário que teve um time forçado pela arbitragem. Mas isso já se tornou regra quando nossos times nordestinos jogam no Sul.
Sobre o Bahia espera-se que mantenha a postura do sábado, jogando realmente como um dos favoritos de sua divisão, que a vaga para o futebol de elite parece uma realidade. O Vitória tem amplas condições de se manter na faixa intermediária da Série A, muito mais difícil e de melhor qualidade, mas vai ser preciso não andar perdendo pontos fáceis dentro de casa.
E sobre a Fonte Nova, também tive a minha pontinha de tristeza ao vê-la ir abaixo por toneladas de dinamite, mas torço despesradamente para que a nova arena venha bonita e luxuosa como dizem, mas com o mesmo sintoma popular, porque se for verdade que a sua subsistência tem que ser à base de ingressos acima de 100 reais, não haverá fanatismo de torcedor que possa sustentar o novo estádio.