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POBRE DE ESPÍRITO

Quando o Cristo enalteceu os pobres de espírito estava se referindo aos simples e puros, cujos espíritos não são soberbos, porque não gravitam entre a arrogância e a prepotência. Mas hoje em dia, no futebol e em tudo na vida, os pobres de espírito são as pessoas avarentas, amargas, somíticas em seus sentimentos de solidariedade e de reconhecimento ao póximo.

 

Foi de um cara assim, que se identifica como “o crítico”, que encontrei nesta manhã de quinta-feira, logo que abri a minha caixa de mensagens, a transloucada opinião de que “quero ver o que vc vai comentar sobre estes pálidos triunfos de Bahia e Vitória contra os horríveis Paraná e Palmeiras”.

 

Não sei nem quem andou passando o meu correio eletrôncio para este exemplo de amargura, pois tudo que diz (seguramente já superam 10 mensagens), é de uma raiva tão grande que um cidadão ameno nem consegue chegar ao final. Diz que o Paraná de hoje é um time sem força, que o Palmeiras não tem nada e que os nossos dois sucessos foram obra do acaso.

 

Graças a Deus, ao longo de minha vida, tenho trilhado tanto pessoal quanto profissionalmente pelos caminhos da compreensão, do respeito e da conduta solidária. Tenho meus defeitos e meus erros, mas, sempre com muita aplicação, tenho, de forma muito determinada, procurado fazer justiça ou, pelo menos, reconhecer os feitos alheios. E neste caso, tratando-se de triunfos de Bahia e Vitória contra os poderosos sulistas, por mais suados que sejam, jamais poderei minimizar ou tentar encontrar atalhos para mostrar fragilidades adversárias.

 

O Bahia ganhou do Paraná, por 2x1, até levou um certo sufoco nos últimos minutos, mas, ao longo do jogo, teve méritos para vencer e ficou numa boa posição na tabela, agora em sexto lugar, bem coladinho no G-4 de sua divisão. E Renato Gaúcho, em noite de despedida, apresentou uma face muito equilibrada que houvera faltado antes. O Vitória, que realmente ainda aprecisa se recuperar no Brasileiro da Série A, teve uma boa estréia na sua segunda Copa Sul-Americana, batendo o Palmeiras, uma força nacional e treinado pelo famosíssimo Felipão, por 2x0. E foi um triunfo justo, perseguido desde o primeiro minuto. E o novo treinador, Toninho Cecílio, embora tenha achado que o clube o trouxe em duro golpe contra Ricardo Silva, estreou bem e teve também os seus méritos.

 

Portanto, meu ilustre remetente de e-mails amargos e que só fazem críticas sistemáticas contra os nossos, por favor, prefiro que me poupe desta incômoda situação que você tem me causado. Seja um pobre de espírito pela boa vontade e não pelo azedume de seus conceitos.