PARABÉNS, VICE DO BRASIL
Tentar emporcalhar a imagem do Vitória é, no mínimo, uma falta de dignidade, de coerência e de sensatez. Outra vez vice, tetra-vice, segundo em decisões na terceira, na segunda, na primeira e na Copa do Brasil – e daí? Sem os mesmos recursos pelo menos nas disputas com Palmeiras (93) e agora o Santos, mas fez belas campanhas, foi valente em muitos jogos – e o que conta ainda mais é que deu estatus a Salvador de capital do futebol brasileiro em dia de festas de decisões.
Só ingênuos (ou os que se valeram da arma de engenhosas arapucas), não disseram, desde o momento da qualificação dos dois finalistas, que o time da Vila era melhor, mais qualificado e favorito. O Vitória, contudo, até que poderia ter chegado ao título, mas por acaso de uma má jornada do adversário, como o futebol anda cheio desses exemplos.
Neste jogo final, o técnico Ricardo Silva agiu corajosamente, o time foi guerreiro e esse negócio de estar lamentando (ou cobrando?) o quase-gol da bola na trave, um primeiro tempo de resultado melhor, é sofisma. O que vale mesmo é que o país inteiro – e muitos torcedores no mundo – viram uma decisão empolgante, uma torcida que fez a nossa melhor e mais respeitosa festa dos utimos tempos e o Vitória ganhou de 2x1 para um time de quatro possíveis titulares da nova Seleção Brasileira, Robinho, André, Neymar e Ganso.
Portanto, não faço couro com os perfeccionistas que só enxergam defeitos, nem com os traídos em seus sentimentos íntimos e que procuram enxovalar a trajetória de um clube que, embora centenário, somente de duas décadas para cá é que ganhou solidez competitiva e com a atual direção o devido amadurecimento institucional.
Parabéns, Alexi Portela. Parabéns, Ricardo Silva e jogadores. Parabéns, torcida que, aliás, colocou sua cara festiva nas telas do futebol, a cores e em alta definição.
Ser tetra-vice é um estigma que realmente precisa ser superado, mas pior seria estar marginalizado dos grandes momentos do futebol.