COPA, NORDESTÃO E BRUNO
A Copa do Mundo 2010 vai ser decidida por seleções sem estrelas no peito, Holanda x Espanha, porque realmente foram renovadas para a competição, sem as falsas pretensões de Brasil, Itália, Alemanha e Argentina, maiores favoritos quando a bola rolou, todas garbosas e crentes de suas tradições, mas com os mesmos esquemas de outras competições e treinadores sem a mínima capacidade de formalizar ou mudar esquemas táticos. Volto a dizer que favoritismo não ganha jogo, apenas é um ingrediente que aumenta a responsabilidade. Argentina e Alemanha até que mostraram alguma coisa de interessante, mas ninguém pode negar que holandeses e espanhóis tenham sido as boas novidades na África do Sul.
O Campeonato do Nordeste está assim: até que Bahia e Vitória ainda têm boas chances de chegar à decisão, mas como seus treinadores e altetas dizem que é uma competição para ganhar ritmo, o Tricolor, que ganhou esta última partida (ABC) de 3x1 já levou goleada e o Leão, que parecia ter se aprumado, foi humilhantemente derrotado pelo inexpressivo CSA, por 4x1 na última rodada. Então não se pode confiar muito, apenas torcer para que os dois encontrem o rumo de suas tentativas para não fazer feio nas divisões que disputam no Campeonato Brasileiro.
E o goleiro Bruno, hein? Ainda agora, depois de tantas descobertas escabrosas nas investigações policiais, fica muito difícil entender o miserável temperamento deste jovem. Rico, simpático, até irradiando uma aparente ingenuidade, acaba sendo revelado monstro e futuro favelado, porque toda a fortuna que começava a construir, já desmorona como casebre nos dias de chuva em beirada de encosta. Contrado de R$ 200 mil por mês suspenso com o Flamengo, polpudas importâncias com a publicidsade e empresas imediatamente subtraídas, dívidas e mais dívidas com compras de sítios, mansões e carros importados. Um psicólogo, ao analisar o crime brutal perpetrado pelo goleiro do Flamengo contra a ex-namorada Eliza Samudio, disse, com muita propriedade, que um cara que salta da periferia para o estrelato, com salários astronômicos, tem um grande dilema a enfrentar: ou mantém as origens, gozando de todas as regalias de sua nova realidade com moderação e sabedoria, construindo família saudável, amparando parentes e velhos companheiros ou se arrasta para os nefastos campos da tragédia, porque começa a promover orgias, aliando-se a más companhias, enveredando por uma nova classe social que rigorosamente não sustenta gente de passado recente tão humilde e marginalizado, mas que o leva rapidamente para o abismo. E dá no que deu, servindo apenas como exemplo para outros jovens artistas, que em lugar de preferirem orientação de familiares coerentes, de amigos e empresários de boa índole, cercam-se dos Bolas, Macarrões e Chapinhas da vida.
Bate-me uma grande pena de meninos desavisados como este ótimo goleiro do clube mais popular do país que, agora, em lugar de sonhar com a Copa do Mundo 2014, gozando das vantagens que uma carreira bem sucedida e equilibrada pode proporcionar, vai ter que dormir noites a fio em úmido e solitário quartinho de penitenciária.