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MAIS DO QUE PODIA

Não é justo agora, quando estamos passando na alfândega de volta pra casa, que se encontrem os bodes-expiatórios: que Felipe Melo foi duplamente culpado, porque além da atrapalhada que acabou no gol de empate e a infantilidade de cometer aquela falta, pisando no adversário caído; que Júlio César, contado em verso e prosa como maior goleiro do mundo na atualidade cometeu duas pixotadas, que Luis Fabiano foi zero à esquerda, que Kaká e Robinho fizeram muito pouco para o que todos espetávamos deles. Analisar obra concluída é fácil demais – e neste momento, parece-me ser mais do que justo dizer que fomos até onde podíamos com os recursos técnicos que levamos para a Copa.

 

É incrível como alguns especialistas do futebol descobrem tanta qualidade em certos craques que, na verdade, a gente como eu, sem a presunção de querer entender demais, fica diante da tevê e não assiste nada de excepcional, como os dois laterais, e todos do meio-campo, exceto Kaká, que teve uma atuação muito pálida. Aliás, o povo, sempre sábio, concordava apenas com um terço dessas convocações que foram para a África. Mas Dunga apostou, bateu pé firme, a CBF o apoiou e, mesmo com apresentações pálidas o coração brasileiro foi consentindo de que, tal era a nossa tradição, seria possível ganhar o hexa. Mas convenhamos: seria um título conquistado muito mais pela fraqueza dos inimigos do que pela potencialidade do nosso verdadeiro futebol. Veio a Holanda e nos tangeu da África, como poderia ter sido, mais adiante, a Alemnha ou a Argentina, que levaram uma seleção melhor.
 

 

Eu sempre defendi que, faltando um mês para a convocação definitiva, o treinador, mesmo com essa mania de só convocar quem se encontra jogando na Europa, poderia fazer um exame mais consciencioso dos desafortunados rapazes que batem bola em nossos clubes. E neste caso, poderia haver lugar para Neymar, Ganso, Diego e outros que seguramente dariam mais sustentação do que alguns do que foram premiados.

 

Perdi o apetite depois desta derrota de 2x1 para a Holanda, não sei se tenho coragem de me alimentar ainda hoje, seguramente igualzinho à Selçeção, que no primeiro tempo até que nos deu a impressão de seguir adiante, mas que, durante todo segundo tempo foi atrapalhada em todos os fundamentos: não foi compacta na defesa, ninguém assumiu o jogo no meio-campo, nossos ídolos desapareceram, um time tumultuado e sem bússula.

 

Se tivemos chances de liquidar o jogo na etapa inicial, na volta a Holanda teve tudo para fazer muito mais gols e construir um placar humilhante. E que festa de “Dois de Julho”, dia de nossa Independência, pois agora só nos resta ir atrás do Caboclo chorar no Campo Grande!