EXIGÊNCIA EXAGERADA
Encontro depois desta vitória de 2x0 sobre o Sport um torcedor exigente e ele, não sei se querendo gerar alguma discussão, fala que o Bahia ganha, está na ponta da tabela, mas não chega a empolgar gente como ele que, em outras épocas, foi testemunha de campanhas com ótimos resultados e show de bola. E eu, sem tom de dono da verdade, mas de conceito firme, mostro que nem Vasco nem Corinthians, os dois campeões da edições anteriores, foram brilhantes nas primeiras rodadas, quando procuravam se afirmar.
O Vasco, aliás, campeão da competição no ano passado, muito menos do que o Corinthians, vencedor da competição anterior. O Vasco chegou a cinco jogos sem sequer ser o líder, somando três vitórias (1x0 Brasiliense, 2x0 Ceará e 3x0 Atlético/GO), um empate (0x0 São Caetano) e uma derrota (1x3 Paraná). Portanto, com 10 pontos ganhos, aproveitamento de 76.9%. O Guarani àquela altura era o melhor time disparado, com cinco vitórias, aproveitamento de 100%.
O Corinthians, no ano anterior (2008), chegou à quinta rodada como líder e 100 % de aproveitamento: 3x2 CRB, 3x1 Gama, 1x0 ABC, 2x0 Fortaleza e 4x1 Barueri. Quinze pontos ganhos, 13 gols a favor, quatro contra, saldo de nove. Mas, ainda assim, não chegava a empolgar, porque realizava ótimos primeiros tempos e nas segundas fases parecia dar um inexplicável branco em toda equipe.
Então, acho irreal esta procupação, porque o Bahia, conquanto não tenha ainda praticado um futebol de encher os olhos, principalmente aqui em Pituaçu, é inquestionavelmente a melhor equipe da competição, cumprindo a sua melhor campanha nestes sete anos de divisões inferiores: cinco jogos, quatro vitórias (1x0 América/RN, 2x1 Ipatinga, 4x0 Vila Nova e 2x0 Sport), duas delas fora de casa em que o seu aproveitamento é máximo, um empate (1x1 Ponte Preta), 13 pontos ganhos dos 15 disputados, 10 gols a favor, dois contra, saldo de oito, aproveitamento de 86,7%. Tudo leva a crer que uma das quatro vagas começa a ser desenhada com reais perspectivas até de chegar ao título da Série B.
Há coisas que são sintomáticas no futebol – e mesmo sem apresentar ainda um esquema muito bem desenhado em campo -, quando um time se encaminha para uma jornada vitoriosa se de um lado lhe falta a estratégia tática, de outro sobram recursos técnicos que surgem como nascentos de rios que, aos poucos, se adicionam e formam fontes inesgotáveis.
E dois destes recursos já são palpáveis: os garotos Omar e Vander, em um piscar de olhos já asseguram as condições de titulares do time e grandes revelações do campeonato. Omar, três semanas atrás um júnior desconhecido faz esquecer os goleiros Marcelo, atualmente no Atlético/MG e Fernando, que era o titular, ambos tidos como grandes paredões. Omar joga simples, tem presença física e frieza para decidir em todos os fundamentos de sua meta; Vander sabe conduzir as jogadas, tem ótimo passe e grande efeito em seus chutes a gol.