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EXEMPLO DE SUPERAÇÃO

Nenhum torcedor ou cronista tem o direito de afirmar que o Vitória, nesta sua fase de maus resultados, tem jogado sem luta. Desde a decisão do campeonato com o Bahia, quando perdeu por 2x1 e ainda assim levantou a taça, como, também, nos jogos de volta, pela Copa do Brasil, contra o Goiás e o Vasco, na primeira partida diante do Atlético/GO e mais recentemente nos jogos do Brasileirão, não faltaram garra, brio, busca desesperada pelo triunfo, mesmo diante de desfalques intensos, cansaço de um grupo limitado envolvido em tantas competições (Baiano, Copa do Brasil e Brasileiro). 
 
Nesta quarta-feira, depois de duas derrotas (0x1 Palmeiras, 0x1 Ceará) e um sofrido empate (1x1 Flamengo), o nosso tetra-campeão voltou a campo, agora para enfrentar o qualificadíssimo Atlético/MG, treinado por Wanderley Luxemburgo, tido e havido como o maior estrategista do futebol brasileiro. E apesar disso, desfalcado de jogadores importantes como o goleiro Viáfara, os meio-campistas Ramon Menezes e Bida e o artilheiro Júnior, o remendado Vitória deu uma aula de empenho, perseverança,  busca incansável de um sucesso que acabou sendo uma premiação num dos mais movimentados e emocionantes jogos realizados em Salvador nesta temporada.
 
O goleiro Vinícius teve as suas falhas, mas também defendeu bolas de real perigo – e o seu adversário Marcelo, que entrou em campo rotulado como “ex-paredão tricolor”, falando muito e com pompa de um craque que não é, teve muito mais falhas, inclusive no terceiro gol de Schwenck, quando quis matar a bola com o peito e deu o maior vacilo dos últimos tempos. O time do Vitória transpirou no geral e teve inspiração em várias peças, com destaq ues especiais para o quase banido Schwenck, e os novatos Ricardo Conceição e Evandro, este um ex-atleticano que, nem bem esquentou em campo já deixou a sua marca de jogador determinado e eficiente. E é preciso lembrar que, durante praticamente todo o segundo tempo, o Vitória jogou sem seu bom lateral Nino, expulso por reincidência de falta e de cartão.  
 
Foi bom o Vitória ganhar o seu primeiro jogo no campeonato, mostrar que tem chances de assistir à Copa do Mundo sem os vexames que muitos já preconizavam, porque assim tem tranquilidade de se refazer para as duas mais importantes competições nacionais, a Copa do Brasil, da qual é finalista contra o Santos (e qualquer que seja o resultado ninguém poderá lhe subtrair os méritos de uma excelente campanha) e do Brasileiro Série A, cuja meta mais importante me parece ser permanecer entre os clubes brasileiros de elite.
 
Só acho que grande parte da torcida rubro-negra não tem entendido essas coisas e malhado muito um clube que tem sido, nestes últimos anos, a maior bandeira de representatividade do nosso futebol.