A ÚLTIMA CHANCE
Há, em tudo na vida, uma diferença palpável entre a grande e última chances. Foi o apresentador Flávio Cavalcanti (que Deus o tenha), quando a televisão ainda era de válvulas e em preto e branco (A Grande Chance, TV Tupi, 1966), quem andou explicando esta conversa para, recentemente, Gilberto Barros copiá-lo na Band. Flávio dizia que “a grande chance” está pintando sempre na vida de cada um de nós, todos os dias, todas as horas, em todos os lugares e “a úiltima chance” é quando nos últimos estertores de uma competição, o concorrente chega na luta e arranca do fundo de sua alma e do seu coração as forças necessárias para tentar vencer, por mais porcaria ou preterido que seja. É o tudo ou nada, é pegar ou largar, é morrer ou continuar vivendo.
É assim que vejo o Vitória para este jogo da próxima quarta-feira contra o Atlético/GO. Eu costumo dizer que o tetracampeão baiano é sempre aquele azarão, que pode até colocar 10 pontos de diferença sobre o rival, mas às vésperas da decisão são colocadas dúvidas sobre suas reais possibilidades. E quando ganha, como tem feito há oito anos desta atual década, realça-se que foi por um ponto apenas, por um golzinho em fim de safra, porque entrou com a vantagem, como se nada disso fosse virtude ou valesse.
Mas chegou o momento dele continuar fazendo a sua espinhosa história, capítulo por capítulo, linha por linha, palavra por palavra, golzinho por golzinho, porque na vida nada é tão importante quanto se conquistar o pódio com muito suor, com muito empenho, saindo do descrédito e da desconfiança. Foi assim contra o desranqueado Corinthians de Alagoas, quando perdeu lá por 3x1 e já se acenavam os lenços da despedida e o time aqui meteu 4x0 e passou de fase; depois o Náutico, um 1x0 lá no Recife, que até disseram que foi golpe de sorte, mas aqui, 5x0 e a Copa seguiu; depois, o Goiás, 4x0 aqui, 2x2 lá; mais tarde, o Vasco, 2x0 no Barradão, 1x3 em São Januário, um sufoco, mas, sobretudo, a conquista de uma semifinal, outra vez, como em 2004, a melhor posição do futebol da Bahia nesta segunda melhor competição nacional.
Portanto, esta derrota de 1x0 para o Atlético/GO não deve ser, antes do segundo jogo, o fim de tudo. Só joga a toalha quem for torcedor falso ou de ocasião. A torcida verdadeira tem que comparecer, encher o estádio, incentivar o time do começo ao fim. Concordo que houve imprevidência da diretoria, não contratando peças de reposição, que o time jogou com muita garra no primeiro tempo, em Goiânia, perdeu chances imperdíveis, que foi apático e extenuado no tempo final, mas nem tudo está perdido. É a última chance – e uma última chance dentro de casa, precisando reverter uma decisão que está apenas no 0x1, com mais 90 minutos pela frente, convenhamos, ou se tem fé ou se entrega logo os pontos e sai da competição.
É por isso que as torcidas de Flamengo e Corinthians são exemplos mundiais de persistência e de força. Nunca desistem, sempre acreditam nos seus times por mais frágeis que estejam. E o Vitória tem que fazer isso nesta sua última chance. Não pode morrer diante desta nova agonia.