POLÍTICA X ESPORTE
Demorei algumas horas imaginando uma forma de iniciar esse texto. Não me julgo sem criatividade, mas, depois do que eu vi na degradada e, ainda, sede de praia do Bahia, nesta segunda-feira (5), realmente, a tristeza e a incredulidade, me deixaram sem saber por onde começar. Um dia que poderia ter entrado para a história do clube como um marco da ressurreição, entrou como a síntese definitiva da forma amadora e política dos atuais gestores – da mesma forma que os antigos - conduzirem tudo que acontece no Esporte Clube Bahia.
O presidente Marcelo Guimarães Filho, no início da Assembléia Geral, parecia aquele deputado federal com o discurso democrático e esperançoso de se ouvir, que fez muita gente esquecer quem é seu genitor, considerado o principal responsável pela queda do tricolor da Primeira para a Terceira Divisão. Porém, a democracia e a transparência duraram pouco. Era o livro com as assinaturas dos sócios presentes intocado, nenhuma intenção de fazer a leitura do projeto do novo estatuto – aprovado dessa forma pelo Conselho Deliberativo -, entre outras barbaridades que iam de encontro da suposta intenção do encontro, de resolver a vida do clube.
Mas, o que me deixou mais abismado, foi à maneira pouco engenhosa de como o teatro da suspensão já estava ensaiado. Pessoas que, sequer devem torcer pelo Bahia, estavam lá apenas para, de forma indireta, conduzir a reunião a bel prazer dos interesses dos “patrões”, como se estivessem em um palanque em algum interior ou, até mesmo, em Assembléia de algum partido político. Nem de longe demonstravam interesse no crescimento do clube. Estavam ali, apenas, para tumultuar. Para se ter uma idéia da desorganização proposital, não havia nem uma maneira pré-definida de como a votação ocorreria, o que, “coincidentemente”, acarretou na sua suspensão. Sem falar na falta de transparência sobre a lista de quem poderia ou não votar.
Ainda acredito que Marcelo Filho coloque a cabeça no lugar e passe a agir por conta própria. O fim da Assembléia deixou isso claro para mim. Enquanto seus correligionários comemoravam, o presidente não conseguia esconder seu constrangimento. Ele tem que ter a consciência de que isso não vai acabar nunca, se continuar seguindo os conselhos de pessoas que entendem muito de política e absolutamente nada de esportes. Porque se estava resolvendo ali a vida do clube e não do time de futebol, apesar de uma coisa estar atrelada a outra. Nessa situação atual, todos, absolutamente todos, só têm a perder. Espero que convoquem nova reunião o quanto antes e que, dessa vez, prevaleça à coerência e o diálogo. É imperativo que seja divulgada a lista de sócios em condições de voto, todas as emendas a serem debatidas e a maneira como a votação ocorrerá, afinal, o que está em jogo, ou deveria, é a democratização do Esporte Clube Bahia.
Em tempo, o que esperar do presidente do Conselho Deliberativo, o senhor Ruy Aciolly, que, na Assembléia Geral, inicialmente, mais importante da história do clube, sequer apareceu para cumprir a sua obrigação estatutária? Para quem não sabe, o Bahia tem dois poderes: um comandado por Marcelo Guimarães Filho e o outro por Aciolly, de apenas lembranças ruins para os tricolores. Prometo, no próximo texto, falar a respeito dos pontos divergentes do novo Estatuto, sobretudo na composição do Conselho, que é o símbolo da atual decadência do antigo Esquadrão de Aço.