MATEMÁTICA DO FUTEBOL
Um torcedor manda me dizer que se o campeonato fosse por pontos ganhos, o Vitória já teria conquistado o título, porque botou quatro pontos de diferença sobre o seu maior rival, ficando agora com 46 contra 42, após o merecido triunfo deste domingo, em Pituaçu. Foi melhor nos dois tempos, teve as chances reais de gols, Ricardo Silva tem melhor controle do que Renato Gaúcho sobre os jogadores e Júnior mostrou que realmente é um matador.
Mas é preciso lembrar a este torcedor que a competição foi regulamentada por etapas e esses cálculos servem apenas como parâmetro para se mostrar a maior ou menor eficiência de um ou de outro. Está na regra – e o que vale é a regra.
Eu só acho estranho como um time tenha que lutar tanto para ser reconhecido pelos seus méritos atuais, de quem disputa duas difíceis competições (Baiano e Copa do Brasil) e tem correspondido. Não é a primeira vez neste Século que o Vitória chega com maior quantidade de pontos, jogando até por derrotas de escores apertados, e o favorito é o adversário. Talvez seja este o segredo de o Bahia estar neste jejum de causar pena. Dão-lhe uma responsabilidade maior do que as suas forças, sempre creditado como um time que pode chegar em qualquer lugar e lembrar os velhos tempos de Osório e Maracajá, quando mandavam fazer as faixas antes do primeiro clássico.
Tem sido assim, nestes anos de penúria: no Brasileiro, na Copa do Brasil e no Estadual. É como se milhares de Binhas estivessem espalhados nas ruas, nas rádios, nos jornais e nas televisões. E este batalhão de aloprados tem recebido um grande reforço da própria torcida rubro-negra. Não sei se por falta de crença ou se na tentativa de armar uma ardilosa cilada. Talvez se os tricolores tivessem uma estratégia mais prática, de mostrar que, embora ainda tenha chances concretas, há necessidade até de mudança comportamental, os resultados sejam melhores, porque é sempre muito perigoso (e ridículo) ficar desencavando grandezas e forças de tempos remotos.
Se as verdades fossem cultivadas, sem deboche, mas com seriedade e respeito, esta fase já havia sido mudada. Mas, não. Preferem culpar o dirigente um ano, as contratações no outro, a falta de visão do técnico, as más arbitragens, a falta de sorte, um rosário de sandices. Mas não arredam o pe de que ainda se ganha com a tradição e o peso da camisa.
Aliás, ainda há um orvalho da velha arrogância de que tudo se pode e tudo se faz. Do outro lado, ao contrário, a Matemática tem sido exercitada com mais prudência, sempre mostrando os diversos atalhos de uma decisão, em que nem sempre os números favoráveis de um campeonato acabam em volta olímpica e conquista de taça.