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O FUTURO DE PITUAÇU

Sei que o momento não parece propício para isso, com o Bahia na porta de retornar a Primeira Divisão e o Vitória com sério risco de rebaixamento, mas resolvi atender alguns pedidos e tentar buscar o que o governo do Estado reserva para Pituaçu pós Arena Fonte Nova. Muita gente me questiona sobre o tema. Para a maioria, foi dinheiro público jogado fora, sem necessidade. Não concordo. Apesar do processo feito sem licitação, transparência e com o orçamento inicial triplicado, a restauração era necessária. Cabe, agora, aos governantes, começar a projetar um futuro para o Roberto Santos sem o Bahia. A seguir, vou, basicamente, transcrever uma rápida entrevista com o secretário de Trabalho, Emprego, Renda e Esportes (Setre), Nilton Vasconcelos.


Primeiro, ele afirmou que Pituaçu seguirá como alternativa para os clubes da capital, mas com uma ressalva importante. “O estádio poderá continuar sendo usado para jogos dos campeonatos estadual ou nacional quando não for conveniente realizá-los na Arena Fonte Nova. De todo modo, é preciso pensar em Pituaçu como parte de um complexo olímpico que atenda às necessidades do esporte de rendimento e mesmo o esporte escolar”, indicou. E como seria esse complexo, secretário? “Encontra-se, em estudo, um projeto de instalação para aquela área de um ginásio de esporte, com capacidade para seis a oito mil pessoas, construção de um parque aquático, pista de atletismo e também uma raia para prática de remo na lagoa de Pituaçu”, informou.


No entanto, as coisas não são tão simples. Prometida para serem inauguradas junto com o estádio em janeiro de 2009, as obras no entorno ainda estão engatinhando. Pouco do que estava no projeto inicial foi feito. A principal delas, a duplicação da Avenida Pinto de Aguiar, parece a mais distante. Contudo, Vasconcelos é otimista. “Algumas obras, que estão a cargo da Conder, já começaram, a exemplo da passarela na Avenida Paralela e do cercamento do Parque Metropolitano de Pituaçu. Está prevista também a duplicação da Avenida Pinto de Aguiar, que, neste momento, encontra-se no detalhamento e captação de dotação orçamentária”, afirmou. Segundo o secretário, existe um fator que atrasa o início. “Como se trata de uma área que integra um parque, órgãos ambientais do governo tem se debruçado na análise do projeto, para que o impacto seja o menor possível”, informou.


Pelo menos no papel, os atuais governantes dão indícios que não deixarão a praça esportiva ficar, mais uma vez, sem utilidade, como aconteceu até 2007. Enquanto o governo estadual faz planos e projetos para Pituaçu, mas sem uma previsão de início e, muito menos, fim das obras, a realidade do estádio segue sendo os jogos do Bahia até o final de 2012. Depois disso, com a inauguração da Fonte Nova, a única certeza é de que o Roberto Santos será utilizado como local de treinamento para Seleções durante a Copa das Confederações em 2013 e a Copa do Mundo em 2014. Se o que foi dito por Nilton Vasconcelos realmente virar realidade, Salvador dará um salto nos esportes olímpicos. Só nos resta, por enquanto, aguardar e cobrar resultados.