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SAUDADES, MESTRE

Tenho me esforçado nesta mania de escrever sobre o esporte para levar ao pé da letra um dos ensinamentos de Armando Nogueira, este extraordinário mestre da comunicação que acaba de morrer, aos 83 anos, como se ainda fosse um jovem tais a lacuna e a saudade que deixa no seio da sociedade brasileira. Ele sempre disse que a crítica nunca deve ferir e o elogio perde o seu efeito quando traz o sintoma da bajulação. Difícil, mas ele sempre exercitou sua incomparável arte de escrever com esses dois princípios de conduta.

 

Tenho me aplicado muito para seguir esses fundamentos, mas não raras vezes mordo os lábios ao me reler e sentir que aqui e alí deixei pontas  de crítica ferina ou de elogio levado pelo coração. E assim têm sido muitos outros companheiros desta árdua missão de falar ou escrever sobre as coisas do esporte, principalmente o futebol, tão apixonante que, às vezes, cega ou contagia sentimentos, extrapolando os limites do racional.

 

O mestre Armando, não. Sempre fez o correto com a simplicidade dos pássaros, que cantam canções lindas e bem entoadas sem a necessidade de exaustivas lições de aprendizado. Ele já trouxe no fundo de sua alma e de seu pensar, desde os tempos de menino acreano, o dom de descobrir e revelar a verdadeira essência das coisas. É claro que, já no Rio, teve que passar por todas as escolas da vida laboral. Foi foca de jornal, transitou com altivez faculdades e escolas superiores, dirigiu grandes redações, criou jornais na tevê, saiu ensinando sua arte pelo país afora, nunca perdeu a linha de descobrir talentos e de deixar bem claro que a sabedoria nunca deve ser egoisticamente armazenada, mas disseminada para que os frutos possam germinar sempre.

 

Eu acho que, por mais que eu diga deste monstro-sagrado da comunicação esportiva (e de todos os outros segmentos do jornalismo do país), vou cometer o lamentável pecado da  imprecisão. Porque tudo que eu diga é muito pouco para explicar o meu respeito por este mestre que se foi. Apenas vou dar um basta a essas mal traçadas linhas citando outra máxima dele: os grandes homens ou eventos não passam, porque suas obras e seus efeitos se imortalizam.

 

E como espiritualista, que acredita em novas oportunidades de vida, valho-me, também de outra sacada deste genial professor: se tudo na vida é uma constante mudança, a morte é apenas uma nova oportunidade de se mudar.