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FUTURO SOMBRIO

Nossos dois grandes times seguem na liderança isolada de seus grupos, já classificados por larga antecipação para a próxima fase do Estadual, mas jogam um futebol inseguro, sem esquema tático definido, com alguns jogadores rendendo abaixo do prometido e esperado, com resultados muitas vezes questionáveis ou conseguidos em raros momentos de lampejos técnicos.

 

Não me preocupo muito com o desfecho do campeonato, porque tem que dar o Vitória tetra ou o Bahia quebrando o incômodo jejum de oito anos. E acho até que neste momento, porque vive a euforia de haver ganho o último clássico, o Tricolor, mesmo com quatro pontos a menos que o rival, está em um melhor momento. Mas o que me causa arrepios é saber que agora em maio começam os dois maiores objetivos: o do Vitória de se manter na primeira divisão e o do Bahia de ascender à elite do futebol brasileiro. E o que estão jogando não dá para confiar.

 

A solução não me parece o clamor de se contratar jogadores competindo com Flamengo, Fluminense ou Corinthians, porque comprovadamente o nosso futebol ainda não atingiu este patamar de suporte financeiro. Enquanto eles lá no Sul conseguem parceiros comerciais que garantem jogadores de 200 e 300 mil por mês, aqui a metade disso é o que pagam os anunciantes de camisas – e para conseguir isso tem sido uma luta incansável. Este contrato mesmo da Petrobras com os dois clubes baianos já está virando uma novela. Desde outubro do ano passado que ouço dizer que os papeis estão prontos na gaveta do diretor da estatal, que será anunciada a assinatura em uma segunda-feira que vem, entra sábado e sai sábado, e o noticiário não muda de rumo.

 

Não, não é botando banca de rico sem ser que tricolores e rubro-negros vão formar grandes times. É, sim, contratando menos jogadores, mas de maior qualidade, e dando chances, com coragem e determinação, aos garotos da base. Comer buchada de bode e arrotar caviar não leava a lugar nenhum. O Vitória, por exemplo, que manteve uma espinha dorsal da temporada passada (Viáfara, Wallace, Anderson,Vanderson, Uéliton, Bida e Ramon), teria que contratar uns quatro ou cinco jogadores, mas de valor inquestionável. Em lugar de trazer dois reforços de 45 mil, um de 90 ou 100 mil, mas sem esta de estar há um ano inativo ou ter uma contusão que ainda é preciso provar que se curou. E isso serve também para o Bahia.

 

O problema é que tudo aqui é feito em cima da hora, quando o campeonato está começando – e até mesmo rodada após rodada -, na desenfreada esperança de conseguir resultados de última hora. E essas atitudes só nos provocam o sentimento de um futuro muito sombrio.