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PLANO DE VIDA

O problema é que o Bahia, há quase 10 anos, tem sido um mero coadjuvante de todos os campeonatos que participa e ainda não se deu conta disso. Em lugar de apresentar um planejamento sólido, que realmente possa amenizar as dificuldades o que se vê, ano após ano, é a igênua promessa de que tudo mudou, que o Bahia é o Bahia, campeão da Taça Brasil e de um Brasileiro e que, por essas linhas de raciocínio, agora o clube entra nos eixos e vai arrebentar com todo mundo. 
 
Vamos comparar o Tricolor a uma família rica que caiu na falência de recursos financeiros e de credibilidade, mas que continua sendo numerosa, tradicional e de fortes anseios. Não pode, de maneira nenhuma, pensar que é só com um estalar de dedos que tudo vai voltar ao normal, aos tempos áureos de saraus e festas triunfais. 
 
Pelo que a história recomenda, essa família vai ter que formalizar um novo projeto de vida, unindo todos os seus integrantes, dizendo de frente todos os seus problemas, reorganizado a casa, tijolo sobre tijolo, não cometendo excessos de gastos, fazendo tudo conforme as suas posses. Sem a opulência que a colocava no topo da sociedade. Mas o Bahia, não. Continua contratando técnicos e jogadores com salários acima do que pode pagar, não consegue alavancar numerário para pagar os seus compromissos e os desafios são cada vez maiores. E o pior de tudo é que a maioria de suas contratações é sempre muito duvidosa – ou quando tem qualidade, a urgência de auferir resultados positivos se encarrega em apressar novos dissabores. Dívidas aumentam, funcionários se revelam insatisfeitos e infelizes, a imensa torcida continua acreditando que tudo é uma questão de dia ou de semana, porque os dirigentes não têm a coragem de falar a verdade e de pedir auxílio.
 
Esta triste derrota de 5 x 3 diante do aplicado, mas inexpressivo Bahia de Feira, é apenas um episódio que serve para aclarar todos essos erros de percurso. Ou os dirigentes adotam a política da verdade, só colocando o chapéu ao alcance dos braços, mostrando à torcida que é preciso construir-se uma base definitivamente sólida, sem os arroubos de prometer conquistar logo Copas do Brasil, campeonatos baianos e brasileiros, mas com os pés nos chãos e uma desmedida vocação de quem realmente sabe do abismo em que se meteu e que pretende encontrar os caminhos de seus melhores tempos.
Toda cidade, todo estado e todo país tem sempre um plano diretor a seguir e só alcança saldos positivos quando o seguem de forma adequada e sem atalhos mirabolantes. O Bahia é seguramente isso: um traça e segue um plano de vida ou vai ficar transitando nas sombras da incerteza e dos desencontros.