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CUIDADO COM O ANDOR

De repente, comecei a ouvir, ler e ver através de nobres companheiros da imprensa um Vitória campeão e um Bahia mais delinquente do que nos seus piores dias de terceira divisão, só por causa dos 2x0 no primeiro Ba-Vi do ano. Que Ricardo Silva é o tal, deu nó tático em Renato Gaúcho, que deixou de ser a grande esperança tricolor. Que tudo que é jogador do Fazendão não vale o pirão que come e que alguns deles enganaram nas duas apresentações iniciais e os da Toca são tão porretas que só estiveram passando por um insignificante lapso nos dois jogos anteriores, quando produziram muito pouco.
 
É preciso que se resgate a verdade e que não se tenha tanto camaleonismo por causa de um simples resultado. Porque o prudente é dizer-se que nem o Vitória passou, de um dia para uma noite, de sapo para príncipe nem o Bahia escorregou tanto na casca da banana que se esborrachou em um abismo sem retorno. O campeonato só começa, está ainda na sua terceira rodada, portanto as chances de tricolores e rubronegros são idênticas, porque sempre foram e sempre serão, pela tradição e força, os dois maiores favoritos ao título.   
 
O que mais parece é que tudo estava orquestrado para, em caso de um triunfo do Bahia, dizer-se logo que os caminhos da recuperação já estavam assegurados e que não tinha mais adversário que se sobrepusesse ao time de Renato. Eu até entendo que o Bahia necessite com muita urgência de uma revitalização, mas essas coisas não acontecem com um piscar de olhos. Resgatar velhas glórias, depois de tantos dissabores, desencontros e imprudências, exige, acima de tudo, trabalho, planejamento exaustivo, paciência.
 
Disse antes do clássico e repito agora: favoritismo não ganha jogo – e se o Vitória estpa levando a sério esta mensagem dos afoitos e imprevidentes vai acabar se dando mal. Porque nem ele nem o Bahia deixaram de ter que lutar de corpo e alma, sempre muito responsáveis, respeitando todos os adversários, para conquistar o que almejam.
O resto é paixonite aguda que, no mínimo, exige aquele conselho do cuidado com o andor, que o santo é de barro.