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VOLANTES

Pela imposição do jogo físico e marcação na saída de bola, os volantes ganharam uma enorme importância no andamento de qualquer equipe. Atrevo-me a dizer que o velho ditado boleiro “todo grande time começa com um grande goleiro”, pode ser utilizado para a posição. Dois exemplos do atual valor dos antigos cabeças de área ocorreram na Copa do Mundo da África do Sul. Xavi foi o termômetro da Espanha e comandou a Fúria na inédita conquista, enquanto Felipe Melo, com seu desequilíbrio, foi do céu ao inferno contra a Holanda e, em minha opinião, falando apenas do jogo em si, um dos principais responsáveis pela eliminação brasileira.


Resolvi falar a respeito dos jogadores dessa posição, após um bate papo com o treinador do Bahia, Márcio Araújo, que gerou está nota publicada aqui no BN. Questionei o técnico se não foi um equívoco ter tirado Fábio Bahia do meio de campo contra o Icasa. Para o professor, que foi um ótimo volante por sinal, Fábio não é fundamental no meio, e sim o sistema com três meias de marcação. Não concordo nas duas opiniões. Que o time fica mais compacto defensivamente com o apenas regular Hélder fechando como terceiro homem, isso eu reconheço, mas sei, também, que não é fundamental e nem deve deixar Vander, Ananias ou Rogerinho no banco por isso. Morais pode fazer o papel feito por Hélder com tranquilidade. Inclusive, em boa parte do segundo tempo contra o Sport, Morais jogou mais recuado que o companheiro.


Também não concordei quando ele falou que Fábio Bahia não é o melhor marcador. Acredito que Márcio estava querendo proteger os outros volantes, mas qualquer um percebe a diferença. Enquanto Hélder, que para mim é meia, não tem a menor noção de cobertura, Bruno Octávio até tem, mas parece, por problemas físicos, não ter mais a pegada e a força para fazer o serviço. Só consegue ser eficiente no sistema de marcação por zona. Diferente de Fábio, que é um motorzinho e, apesar de ser baixinho, consegue fazer a cobertura com muita competência. Acredito que ele e Marcone, quando se recuperar, formarão uma bela dupla na reta final da Série B, dando, assim, opção de Araújo entrar com dois meias e dois atacantes sem preocupações defensivas.


Não tenho a pretensão de achar que, por não concordar com Márcio, ele esteja errado. No futebol, o certo e o errado andam sempre em uma linha tênue para o resultado final positivo ou negativo. Mesmo preferindo o esquema com dois volantes, compreendo a intenção de Araújo utilizar os três. O bom desse sistema é que Ávine tem liberdade maior para atacar e ser decisivo. As jogadas pela esquerda, entre o lateral e o atacante Adriano, têm feito diferença para o tricolor nas partidas fora de casa. É preciso, agora, faltando 13 jogos para o final da Série B – sete triunfos garantem o acesso -, que o elenco tenha controle emocional e paciência para atacar os adversários com solidez em Pituaçu, sem deixar a defesa descoberta. Padrão de jogo para isso a equipe parece já ter.