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SÓ JÚNIOR AMENIZA

Se não fosse o time júnior, que andou sapecando o arquirrival Vitória por 4 x 2 em jogo válido pela Taça Estado da Bahia, os quase 20 mil tricolores que foram ao Roberto Santos teriam voltado para casa sem uma gota de alegria, porque o profissional voltou a mostrar que realmente não tem futuro – e se facilitar acaba caindo outra vez para a terceira divisão.


O desastre estava anunciado desde o término do primeiro tempo, quando o Bahia vencia por 2 x 0. Mas era um triunfo sem mérito, sem sustança, construído à base de dois achados em lances que não foram trabalhados, mas que contaram com a aptidão dos atacantes Jael e Nadson que, na verdade, são dos poucos que se salvam neste time de apáticos e desbussolados.


Em tudo na vida a perda de bússola gera pânico, inconseqüência, insegurança e incerteza. Fica-se ao deus-dará, como Pedro Álvares Cabral e suas 13 naus, que em 1500 iam para as Índias, um de seus prepostos se esqueceu da bússola e acabaram chegando no Ocidente, aqui no Brasil. Mas até que deram sorte, porque há os que, como o atual Bahia, não chegam a lugar nenhum.


Vamos ser práticos; se houve um time que criou mais chances, que teve um padrão de jogo em campo, esse time foi o fraco América/RN. Antes do jogo começar até explicitei a trégua de não ficar remoendo defeitos nem desmandos, porque achava que era fundamental uma forte sinergia entre todos nós torcedores, dirigentes, jogadores e imprensa. Mas a bola foi rolando e logo se vendo que era tudo em vão.


Como sempre respeitei e continuo respeitando a grandeza do Tricolor, detentor da maior torcida do Norte/Nordeste, dois títulos nacionais e uma história gloriosa, fico torcendo para que, enquanto esta crônica ainda esteja no ar, o Fortaleza tenha se complicado em casa contra o Figueirense, para o Bahia passar a rodada fora do grupo dos degoláveis. Afinal, o Figueira é o que melhor joga nesta segunda etapa do campeonato e pode perfeitamente aprontar na capital cearense.


Mas convenhamos que o nosso Tricolor foi lastimável nesta sexta-feira, véspera de feriadão, quando muitos deixaram de ir logo para seus folguedos só para levar apoio ao seu time de coração. Não sei se aquele torcedor cardíaco que andou passando mal na derrota para o Duque de Caxias esteve por lá, mas estimo que tenha se preparado para passar esta nova humilhação.
Pior de tudo é que tem gente que já está perdendo as estribeiras. Foi, depois do empate, uma descompostura total, com repórter fazendo acusação, jogador mandando torcedor fazer coisa feia e imprópria, um disse-me-disse que até ganha para os bafafás do Bocão na TV. 


Não cabe ficar dizendo quem jogou mal ou se salvou, mas alertar para os próximos jogos, porque se o Bahia não conquistar os 12 pontos nos jogos que ainda tem em casa (Campinense, Fortaleza, Vila Nova e Guarani) e mais um ou dois lá fora (Bragantino, Vasco da Gama, Juventude, Ponte Preta e Atlético/GO), pode cair de divisão.


Ainda há tempo de se tomar todas as providências, pelo menos não entrar em desespero e manter a dignidade.