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OS ''PROFESSORES''

A força de uma figura intrigante tem me chamado atenção no futebol atual: o treinador. Tenho o ex-jogador Tostão como uma referência, um exemplo a ser seguido em suas crônicas. Por isso, surgiu de artigos escritos por ele essa vontade de analisar um pouco mais a importância dessa figura conhecida como “professor”. Para Tostão, são profissionais que mais atrapalham do que ajudam e, hoje em dia, recebem uma valorização descabida, maior até que as dos próprios jogadores. O tricampeão mundial em 1970 não poderia deixar de ter razão.


Antes de aprofundar um mea culpa: eu sou um que valoriza demais o trabalho dos treinadores. Talvez por acompanhar o dia a dia e ver como muitos treinadores não conseguem fazer seu trabalho com a mínima competência. Por isso, quando chega alguém como o Márcio Araújo, eu fico impressionado e valorizo mesmo. Esse que é o ponto onde eu entro em acordo com Tostão. Treinador bom é aquele que faz o feijão com arroz no dia a dia para encaixar o time no esquema tático adequado. O resto é verborréia para se fazer de estrela. Os famosos mais importantes que a importância.


Esse ano passaram duas figuras emblemáticas do gênero no futebol baiano. A começar por Renato Gaúcho. Boleiro e motivador, age como se fosse a figura mais importante do clube onde trabalha. Quem é o presidente e o craque perto dele. A marra até seria respeitada, se ele fizesse o mínimo para um time render. Não fazia. Para ele, treino tático é perda de tempo, desgasta demais, cansa e aborrece os jogadores. Na conversa se resolve tudo. Pelo tempo que tem de futebol, deveria saber o quanto é fundamental a repetição dos fundamentos e posicionamentos. Pelo time que tem, acredito que o Bahia estaria disparado na Série B se o “professor” fosse outro desde o início do ano. Mas como se trata de futebol, o ex-craque saiu daqui se achando para dirigir o Grêmio recebendo “simbólicos” R$ 270 mil mensais.


Toninho Cecílio é reflexo de um modelo antigo e ditatorial, mas que ainda encontra eco em muitos “professores” ditos modernos. Em qualquer lugar da sociedade atual, xingar e tratar seus comandados como uma espécie de escravo não leva a lugar nenhum. “Quem manda aqui sou eu”. Nesse caso, não adianta fazer o feijão com arroz nos treinamentos. Se não respeitar, a vaca vai para o brejo. O pior é que pessoas com a postura do Cecílio, só por ser treinador, seguem por ai ganhando por mês o que qualquer um leva anos para receber. Não vou entrar no mérito dos valores exacerbados pagos no futebol profissional: se pagam, não é comigo! Só toquei no ponto por que a supervalorização passa pelo salário. Como o tema é vasto, prometo voltar a ele em outra oportunidade. É assunto para um livro e não um artigo de uma lauda.