APLAUSOS MERECIDOS
O Vitória nem ganhou do River uruguaio, só empatou um jogo que precisava dar uns três de diferença, mas saiu de campo aplaudido tal a disposição que o time apresentou durante toda a partida. Bravos guerreiros.
O árbitro chileno deixou de marcar um pênalti claro logo no primeiro tempo, mas isso acabou sendo até irrelevante, porque o Leão atacou tanto, criou tantas oportunidades, perdeu a maioria delas pela ansiedade que levou para o campo e outras pela boa ação do goleiro deles e de um adversário que praticamente só se defendeu. Quando o rubro-negro levou o empate (já nos descontos), foi obra e arte de um time que, já extenuado de tanto atacar, estava todo na frente, e os caminhos não foram tão difíceis para que o Cordova pudesse chegar ao gol de Gléguer que, outra vez, substituiu ao titular Viafara com muita eficiência.
Nem sempre é preciso atingir os objetivos para se merecer elogios. Teve falhas, sim, como o promissor Neto Berola, que precisa ainda de muito trabalho para soltar mais a bola, mas não se pode enaltecer o empenho, a luta, a busca incessante que os comandados do Vagner Mancini apresentaram. O gol saiu muito tarde, mas foi fruto da perseverança de todos.
Como não fui ao estádio, preferi sentar-me bem próximo da tevê. Olhos bem grudados, e pude ver o inaudito esforço de cada um, o suor derramado a cada minuto e a cada tentativa, a persistência e a gana da equipe. Claro que uns jogaram mais do que outros, mas todos tiveram a mesma transpiração, a mesma vontade de ganhar.
O menino Elkeson, autor do gol rubro-negro, representou muito bem a excelente divisão de base do clube, mas Apodi foi algo de impressionante: do princípio ao fim foi um desses guerreiros atrevidos. Defendeu, atacou, levou pancada por baixo e por cima, cruzou, chutou a gol, foi o maior de todos os lutadores da arena.
Costumo dizer que o torcedor é sábio à medida que não leva mágoas de cronistas nem de jogadores, que olha o jogo com a razão, que procura ser racional. O fanatismo, não. Só enxerga coisas ruins. Torcedor fanático em demasia é sempre muito nocivo ao futebol. Ele tem que torcer, até mostrar uma paixão mais arraigada, mas não pode perder o senso crítico, que invariavelmente é honesto e consciente. E os mais de 20 mil torcedores que estiveram no MB, em jogo atípico de sete da noite em dia útil, mostraram isso. Aplaudiram o jogo inteiro, foram pra casa sem a classificação, mas levaram a satisfação de ter atualmente um time que não se entregou em momento algum.
Torcedor babaca é sempre aquele que credita sucessos a superstições e insucessos porque esse ou aquele cronista foi escalado na emissora que ele ouve, porque o time entrou com o padrão que ele não gosta, essas coisas de gente amargurada e sem tino na vida.
O importante de se ficar em casa bem pertinho da tevê é puder constatar, minuto a minuto, até cada gota de suor derramada pelos jogadores. Ou a apatia que muitas vezes eles deixam escapar de suas fisionomias. O Vitória, não. Perdeu a vaga, não chegou aos três gols de diferença, nem ganhou a partida. Mas teve brios nos noventa e nos acréscimos, fez de um tudo para chegar ao sucesso, ganhou experiência para a sua próxima competição internacional que está a caminho, mostrou que pode continuar bem no Brasileirão.
E, por tudo isso, foram muito justas as homenagens da torcida, que voltou a dar um show nas arquibancadas.