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MUDANÇA DE CONCEITO

Embora ainda resistam os cronistas e torcedores que pedem as cabeças de Wallace e Neto Berola, meninos de inquestionável talento que ainda se firmam no futebol, viram o que um bom resultado como este contra o Botafogo, no Rio, pode fazer? De repente, descobriram que o time que batia todos os recordes negativos é o melhor da segunda fase do campeonato, ganhando até do líder Palmeiras, 14 contra 13 pontos em sete jogos. Então já ganhava antes, porque os dois venceram neste final de semana e o placar estava 11 contra 10.


Mas o que se realçava era que o Vitória fazia um século que não ganhava fora de casa, líder de gols perdidos e de jogadas erradas da zaga. Há coisas que têm de ser ditas, mas não com tanta insistência, de forma que fica parecendo um negócio sistemático. Porque depois daquele desastre de Montevidéu, contra o River Plate dos pobres, era como se tudo estivesse perdidamente desencaminhado. Na Copa Sul-Americana, no Brasileiro e na vida rubro-negra.

Sobre Berola e Wallace já externei minha opinião e a repito agora: são dois ótimos valores, mas ainda em formação e, como tal, têm erros a ser corrigidos. Só que o Vitória tem o dever se ser paciente, porque apesar de um andar prendendo bola em demasia e outro se passando em algumas jogadas de marcação, os dois ainda têm um saldo muito positivo dentro do time – e mais do que isso: são como cheques ao portador. E seria burrice crucificá-los justamente neste momento de pequenas depressões.


Mas como estava a dizer, um ótimo resultado muda muito conceito: bastou meter três no Botafogo, mesmo sendo um adversário agonizante para cair de divisão, agora o Vitória tem chances de tudo. De chegar entre os quatro da Libertadores, de reverter a situação contra o River, de terminar a temporada com brilhante participação. São coisas do açodamento de uns, da imprevidência de outros e da falta de equilíbrio de uns tantos.


Não vejo motivos para o Vitória, já em fim de temporada, andar contratando jogadores, porque os bons estão todos empregados. Tem dois ótimos goleiros (Gléguer foi quase irrepreensível, fez até o passe para o golaço de Gláucio), tem bons meio-campistas e defesa e ataque que dão pro gasto. Então é se planejar para 2010 e dar um pulo sobre essas opiniões dos que, bastou um resultado ruim, tiram aquelas revistas de compras por correspondência e informam sobre craques que batem pênaltis e correm para cabecear e fazer gols, zagueiros e goleiros que mais parecem muralhas.


Gostei muito do comportamento do time do Vitória. Essa conversa de que o Botafogo não tinha nada não me agradava, porque nossos times sempre deram refresco para lanternas, ressuscitando vários deles ao longo destas competições nacionais. Mas neste jogo o Leão não quis saber da fase do adversário e só não meteu uns seis porque andou perdendo boas oportunidades. Leandro Domingues, Gléguer, que substituiu o ídolo Viáfara (lesionado) aos 10 minutos de jogo, e Magal foram os melhores em campo, mas não se pode negar que todo time lutou com muita eficiência e que Gláucio, com aquele golaço que fez, está redimido com a torcida, que já não confiava mais em seu futebol.


O futebol é assim mesmo: se o Bahia, que joga nesta terça-feira contra o fraco Duque de Caxias, em Pituaçu, pela Série B. fizer um grande jogo e um placar inquestionável, não digo que passe a ter chances de chegar ao G-4, mas muda completamente a expectativa de sua injuriada torcida, que bem poderia estar comemorando uma provável vaga ao futebol de elite.