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OS DOIS EXTREMOS

Sorte e azar são extremos do acaso, enquanto sucesso e fracasso resultados da essência de bom ou mau planejamento, da humildade e persistência ou da arrogância e do descaminho. E essas coisas justificam a arrancada do Vitória e o declínio do Bahia neste decênio do novo Século.


Essas observações não podem ser anexadas apenas aos resultados atuais, em que o Rubro-negro enfrenta os maiores times do país com personalidade e o Tricolor descamba para uma terceira divisão, perdendo para adversários sem tradição e tecnicamente frágeis até dentro de casa.


O drama do Bahia é que não soube tirar proveito de sua fase áurea, quando era absoluto em nosso futebol, ganhando títulos em profusão, chegando a duas taças nacionais e uma torcida ainda hoje incomparável em todo Norte/Nordeste do país. Tripudiou dos co-irmãos, não construiu um projeto de vida, pensou que bastava entrar em campo que as vitórias já estavam garantidas. Aliás, esta ainda é um marca muito prejudicial defendida por uma grande fatia de seus torcedores, que ainda insistem em desconhecer todas as mazelas em que o clube se meteu.


E o pior de tudo é que há dirigentes que cultivam o mesmo sentimento, não se esmerando em ações concretas para o clube resgatar o prestígio e a fama de vencedor. Desvalorizam a prata da casa, contratam sem critérios, atrasam salários e compromissos, desrespeitam os que enchem estádios e pagam folhas e despesas.


O Vitória ganhou outros caminhos: de perdedor contumaz, também esteve em uma terceira divisão, mas os dirigentes que assumiram colocaram os pés no chão, trataram das finanças da entidade com seriedade e zelo, arregimentaram forças, levaram os compromissos ao pé da letra pagando a funcionários e jogadores em dia, não se debruçaram em vaidades e ilusões – ou conquistas do passado.


Uma bela história nunca pode ser esquecida, mas tem que servir como alerta de que é preciso fazer-se o melhor. Nunca estagnar-se em discursos e explicações, porque tudo que é competitivo (e o futebol será sempre assim), exige um esforço continuado para não se cair nos labirintos da inércia.
Não é simplesmente os últimos resultados de um e de outro que me fazem explicitar esses conceitos. Realmente triunfos implacáveis sobre times de ponta como Palmeiras e Internacional e seguidas derrotas humilhantes para equipes que lutam em uma terceira divisão como ABC, Portuguesa, Ceará e Brasiliense criam efeitos diametralmente contrários.


Não é azar nem sorte - são extremos entre os que fazem e os que esperam que aconteça.