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A AÇÃO FAZ O CRISTÃO

Não é a intenção, mas a ação que faz o homem ou que consolida objetivos de grupos – e isso vale para o futebol: o Bahia entrou muito bem intencionado contra a Portuguesa, o estádio com um bom público sempre muito participativo, crendo mesmo que o time pudesse dar seqüência à esperança de ganhar da Portuguesa e se aproximar do G-4 da Série B. Mera intenção, não agiu em momento algum para que o objetivo que levou para o campo fosse materializado. Resultado: fez os seus adeptos passarem uma das maiores vergonhas dos últimos tempos, levou de 4 x 1 e até foi um placar que não traduziu a fragilidade tricolor e o fácil domínio da Lusa.


O Vitória até que parecia também ficar na intenção, porque, desta vez com o estádio quase lotado, entrou em campo escalado para atacar, com dois ótimos criadores no meio-campo (Leandro Domingues e Ramon Menezes), dois atacantes natos (Roger e Neto Berola), mas teve uns 15 minutos de nervosismo, indecisão, inconseqüência. E quando saiu da intenção e começou a agir, não teve segredos, mostrando que as coisas não são tão desiguais como alguns alardeiam: porque o futebol nem nada na vida pode ser avaliado apenas pelas diferenças de classes ou salariais, mas pela ação, pelo desempenho, pelo espírito de luta, pela forma como se encare cada batalha.

 Seguramente tenha sido esse o maior erro do Palmeiras. Ouvi um locutor dizer, depois do resultado de 3 x 2 para o Vitória, que a ausência de Diego Silva tenha feito a diferença em favor do tricampeão baiano. Não, não foi. Foi a diferença de atitude dos dois times: o Verdão se calçou na sandália da vaidade, na expectativa de que ganharia o jogo a hora que bem quisesse e entendesse; o Rubronegrinho foi à luta – e aí o time de um milhão bateu o de quatro, sem deixar qualquer dúvida de suas virtudes. 


Aliás, nestes últimos tempos, enquanto o Vitória já criou o hábito de jogar bem contra os grandes favoritos, cantados em verso e prosa como vencedores antecipados, o Bahia tem dado muita moleza quando entra festejado e cheio de moral. Lembram-se de Flamengo 0 x 1 Vitória no Maracanã, ano passado? De Vitória 6 x 2 Santos nesta temporada, aqui no Barradão? Nestes jogos os adversários já entraram de goleadas encomendadas e tais foram os desapontamentos que os seus técnicos acabaram demitidos. E o Bahia? Favorito em Pituaçu no primeiro jogo da decisão do campeonato e levou 2 x 1 do seu maior rival; há quatro anos entrou na Fonte Nova para voltar à elite, contra um desfalcado Brasiliense, estádio apinhado de gente, voltou pra casa sem lenço e sem documento; este ano já praticou esses desatinos contra Juventude, Figueirense e, agora, contra a Portuguesa. Neste último jogo nem foi só por causa da inesperada derrota, mas pelo placar, humilhante demais para uma torcida que tinha tanta fé.


Atualmente, há atalhos que não devem continuar sendo percorridos: no Vitória, se Ramon e Leandro são craques, é um pecado de Vagner Mancini não coloca-los juntos para jogar. Berola inferniza qualquer defesa e não pode ficar no banco; e no Bahia, Sérgio Guedes tem que consertar deficiências na defesa e no meio-campo, porque o ataque é mesmo com Jael e Nadson.


Tenho meus conceitos muito bem definidos sobre o destino de nossos dois representantes em suas competições: o Vitória tem que se conscientizar que a meta fundamental agora é terminar entre os da Copa Sul-Americana, porque acho muito difícil chegar entre os quatro da Libertadores; o Bahia tem que jogar todas as fichas para não entrar em desespero, manter-se no grupo intermediário, tanger de uma vez por todas qualquer possibilidade de rebaixamento e se planejar melhor para o próximo ano, fazendo tudo certinho para poder voltar à elite.


Mas se tanto um quanto outro ainda conseguir chegar ao topo, vou comemorar, porque nunca pretendo ter a verdade final. Mas neste momento é muito verdadeiro que um bom cristão não é apenas aquele cheio de intenções, mas os que agem com atitude e dentro dos verdadeiros princípios mais práticos da fé e da sua execução.