DE VOLTA PARA CASA
A festa foi muito bonita, apesar das chuvas, a Seleção ganhou gostoso (4 x 2), superando um incômodo empate por dois gols, o público lotou Pituaçu deixando uma renda histórica superior a R$ 4 milhões, nosso conterrâneo Daniel jogou muito, o gaúcho Nilmar foi o grande nome do jogo e não se pode esquecer que praticamente todo time de Dunga esteve bem, mesmo contabilizando vários desfalques importantes, como Kaká, Luís Fabiano, Lúcio, Robinho, Ramires e até mesmo Juan que já não vem jogando há algumas rodadas.
Creio que Daniel Alves deixou de ser um reserva de luxo para se tornar uma das mais eficientes opções do técnico Dunga. Polivalente, ele joga redondo em qualquer posição, só não sei se pode substituir ao excelente Júlio César, que neste momento é indiscutivelmente um dos melhores goleiros do mundo. Na direita, no meio, na esquerda, na destruição ou construção seu futebol é de primeira. Neste jogo foi o que mais correu em campo, fazendo três assistências de realce que acabaram em gols. Não se pode esquecer também os méritos do técnico Dunga, que pode não ter um bom relacionamento com a imprensa, para muitos até considerado um tanto arrogante, mas cujo trabalho tem sido apreciável. Campeão da Copa América, classificado para o Mundial três rodadas de antecedência, invicto há um montão de jogos.
Mas, agora, depois da memorável festa, após 10 anos de uma visita da Seleção e 20 de uma competição oficial (Copa América’89), a Seleção vai se preparar para as duas últimas batalhas das Eliminatórias (Bolívia e Venezuela) e nós estamos voltando para os nossos afazeres domésticos. Por sinal, deveres que concentram a Série B (Bahia), a Série A e a Copa Sul-Americana (Vitória). E neste final de semana dois importantes e difíceis jogos, com o Bahia tentando reabilitar-se em Pituaçu contra a Portuguesa e o Vitória procurando voltar a ganhar no Barradão, contra o líder Palmeiras, depois de dois empates seguidos (3 x 3 Cruzeiro em casa e 1 x 1 Grêmio fora).
Acho que o Bahia é favorito, tem a obrigação moral de ganhar da Lusa para não apagar de vez a esperança de chegar entre os quatro que sobrem para a elite. Na terça-feira, jogando fora de Campinas, o Guarani bateu no Bragantino (1 x 0) foi para 43 pontos, colocando 13 de vantagem sobre o nosso Tricolor, mesma diferença já em favor do Vasco, que vai enfrentar o Paraná, no Rio, com amplas chances de chegar aos 46 pontos. Assim, tudo leva a crer que a briga dos que ainda postulam vagas é contra o Atlético/GO, que tem 41 pontos e joga fora de casa contra a sempre difícil Ponte Preta e o Ceará, que está com 41, e vai enfrentar o Figueirense, lá em Floripa. O diacho é que o Figueirense (33 pontos) e a Ponte (32) já estão na frente do Bahia e se ganharem apenas aumentam ou mantém a diferença.
O Vitória faz um jogo mais complicado: seu adversário, o Palmeiras, simplesmente é o líder folgado do campeonato e não tem tomado conhecimento de ninguém, dentro e fora de seus redutos. Mas a contar pelo ótimo jogo em Porto Alegre, no empate em 1 x 1, não vai ser o fim do mundo o Leão mostrar as suas garras. Basta que Vagner Mancini volte a colocar em campo aquele sistema simples de cada um jogar em sua verdadeira posição, sem muito laboratório.
De qualquer forma, nossos dois grandes clubes jogam dentro de casa e terão que buscar o resultado, sem medo e sem atalhos.