VIDA DE ARTILHEIROS
Eu poderia falar sobre a arrancada que o Bahia empreende, com três vitórias seguidas na Série B, a fantástica torcida que voltou a acreditar no time e voltou ao estádio, as possibilidades de conquistar uma das vagas para a elite, que podem ser ainda um desafio, mas que passaram a ser concretas.
Seria coerente, também, falar sobre o heróico empate conseguido pelo Vitória contra o Cruzeiro, após estar perdendo por 3-1 aos 40 do segundo tempo, quando antes e durante o jogo os estatísticos de plantão já davam o time de Minas como vencedor natural.
Mas acho lugar comum voltar a dizer que o Bahia já tem nova cara, que ainda não se encontra em uma posição cômoda, mas que demonstra ter capacidade de reagir e vale a pena acreditar nele até a última chance: ou para comemorar a vaga ou para lamentar que o Sérgio Guedes e uma meia dúzia de bons reforços só tenham sido contratados praticamente na metade da competição. Porque com eles o Tricolor já resgatou vários predicados que o fez um time vencedor: raça, personalidade, coragem de buscar o gol, determinação – e, além disso, jogando com simplicidade.
E certo também que poderia ficar repisando que o Vitória jogou sem dois dos seus melhores titulares, o lateral Apodi e o meia Leandro Domingues, este o nosso melhor jogador da atualidade. Mas tudo isso me parece irrelevante.
Porque dá gosto a gente ver profissionais que dão a volta por cima e se recuperam, diante de críticas, de descrença, até mesmo de deboche. Nadson foi um exemplo no sábado, marcando dois dos três gols do Bahia, quando já havia até certa desconfiança de que sua fase de guerreiro e goleador havia acabado. Mas não, o Nadgol está de volta, marcou dois belos gols contra o São Caetano e deve fazer a torcida vibrar intensamente até o campeonato acabar. No domingo, foi a vez de Roger, que parece haver dado todas as respostas à torcida rubro-negra, que tanto o tem criticado pelos gols perdidos nas últimas partidas. Também fez dois contra o Cruzeiro, em belo estilo, e assume, com Marcelinho Paraíba, a artilharia da Série A, com 11 gols, contra goleadores como Adriano, Ronaldinho, Felipe, Washington. Kléber e Alecsandro.
Não se deve esquecer que outro artilheiro, este novato Jael, está caindo nas graças dos tricolores, porque em duas partidas já fez três gols em cabeçadas mortais e foi dele um dos três gols no triunfo diante do São Caetano; também que o experiente e sempre muito providencial Ramon Menezes foi o autor de excelentes jogadas e do outro gol rubro-negro contra o Cruzeiro. Mas tenho que homenagear dois artilheiros que vinham sendo alvo de críticas: Roger e Nadson.
E sobre Roger, aliás, acho que o soldado deve ter voltado para casa de alma lavada, depois desta extraordinária recuperação na difícil batalha contra o Cruzeiro. Porque sem rebeldia nem descontentamento, mas sempre muito perseverante, esperou o tempo certo para dar todas as respostas. Agora, ninguém deve mais ter dúvidas sobre o seu potencial de goleador.
É gratificante testemunhar que certos profissionais conseguem buscar forças e reconquistar o prestígio que já parecia muito improvável.