BRINCANDO COM A SORTE
O Vitória deu sorte, muita sorte mesmo nesta vigésima primeira rodada: levou 2 x 0 do fraco Sport, fruto da imprevidência de seu treinador, das falhas do goleiro e de um primeiro tempo ridículo – e ainda assim permaneceu na mesma 10ª posição. Porque o Flamengo foi pior do que ele e levou ferro do Avaí, sem dó e piedade, por 3 x 0, e o Santos perdeu para o Goiás, por 2 x 1.
Falar nessas coisas, estão endeusando o Palmeiras, que agora joga de azul parecendo o nosso saudoso Galícia, por estar com 40 pontos e liderando o campeonato, mas as sensações mesmo da competição são o Goiás e o Avaí que eram tidos como modestos, de folhas baratas, mas que estão no G-4 com todos os méritos. O Goiás acorda nesta segunda-feira na vice-liderança, com 38 pontos, dois a menos que o Palmeiras, e o Avaí na quarta-posição, com 34 pontos, dois a menos do terceiro, o São Paulo, que tem 36 pontos. No caso do Avaí é bom lembrar que o time chegou à décima partida sem derrotas e isso é uma marca inusitada dentro do Brasileirão.
Mas o que serve mesmo de Goiás e Avaí é para se mostrar a determinados treinadores que o futebol tem que ser jogado com simplicidade. Silas e Hélio dos Anjos estão fazendo isso: lateral joga na lateral, armador no meio-campo e atacante no ataque. E tem mais: não ficam, quando os problemas acontecem com as contusões ou suspensões de titulares divagando sobre os seus substitutos. Antes era o Paulo César Carpegiani que fazia do Vitória um laboratório e, depois de uma brilhante arrancada, acabou quebrando a cara e não tendo mais ambiente para continuar comandando o time da Toca. Agora, Wagner Mancini pratica uma metodologia que fica impossível de qualquer um entender.
No jogo contra o Goiás, quando ele colocou o Neto Berola em campo, o Vitória cresceu e mesmo perdendo por 3 x 2, foi elogiável a presença do menino de Macuco (este era o nome de Buerarema, terra natal do jovem atacante). Fez gol e deu muita mobilidade ao ataque. Veio o jogo com o Coritiba, pela Sul-Americana, sem poder contar com Leandro Domingues e outros titulares, ele colocou Ramon Menezes no lugar de Leandro e, mais tarde, voltou a se valer do excelente Berola. Um gol de Ramon outro de Berola, 2-0. Aí vem o jogo contra o Sport nem Ramon nem Berola no início do jogo, Mancini opta por Adriano, que há algum tempo não entra no time.
Muito acima de qualquer crítica que eu possa ou queira fazer a própria imagem do jogo se encarregou em mostrar a verdade: o Vitória só entrou na partida no segundo tempo, com Ramon e Berola em campo. No primeiro, levou dois gols e foi disperso, sem vibração, sem pegada, sem qualquer tipo de outra explicação.
Não adianta sofismar, porque se não abrir os olhos, poderá dentro de três ou quatro rodadas estar em uma situação difícil, porque fica muito improvável permanecer na faixa intermediária esperando pela sorte. Está faltando mais vibração e determinação tática no time, que tem entrado em campo com certas improvisações e sem coerência.
Só quero ver o que deve rolar nesta partida contra o Coritiba pela Sul-Americana. O fato de o Vitória levar a vantagem de ter ganho aqui por 2-0 não lhe dá o direito de jogar na defesa, como time pequeno, nem sob a regência de esquema apenas fortalecido na marcação de meio-campo. Ele tem que jogar pra frente, procurando a vitória, porque não pode dar moral para o Coxa Branca.
Porque brincar com a sorte é muito perigoso. E em tudo na vida só acha quem procura, quem insiste, quem não tem medo, quem acredita no sucesso.