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A VITÓRIA DA SIMPLICIDADE

Viram só como a simplicidade é a melhor arma para fazer as coisas fluírem? Como a Física nos ensina que a menor distância entre dois pontos é a linha reta, a vida nos exige, em todas as suas atividades, o senso prático de ser elaborar qualquer projeto.


Foi assim o Vitória da estréia da Copa Sul-Americana. Ganhou do Coritiba, por 2 x 0, teve chances de encaixar mais uns dois outros gols e o importante é que venceu com autoridade, sem aquele sufoco de outros jogos recentes. Eu sempre comparo o futebol à culinária – e o técnico interino Ricardo Silva, vitorioso em todas as suas oportunidades -, deu um exemplo marcante, conforme explicou os termos de sua preleção: “isso aqui é como bife, feijão, arroz, batatas fritas... cardápio simples, mas que a grande maioria gosta e se alimenta muito bem”.


É isso mesmo. Não adianta o cara pegar um filé de primeira, meter essências e ervas orientais, picar a mão de sal e pimenta, fazer um molho gororoba misturado com rabo de cavalo-marinho que não vai dar certo. No mínimo, deve causar uma bruta indigestão.


Há treinadores, uns famosos e arrogantes, outros metidos a besta, que andam inventando muito. Esquema de três zagueiros, mas com laterais nem sendo alas e sim atacantes, meio-campistas jogando nas laterais, um negócio de maria-doida. Eu continuo adepto da essência do futebol: defesa, defesa: meio-campo armando, ataque atacando. Claro que é bonito e saudável a gente ver inovações, com um dos laterais se soltando, um dos apoiadores protegendo mais e o outro ajudando na criação, um dos atacantes mais construtores, outro mais finalizador. Esses ingredientes, bem treinados e bem executados dão um sabor especial ao futebol. Mas o que alguns chamam de moderno, na verdade não passa de uma grande confusão que acaba em suicídio.


Voltando ao fio de conversa, Ricardo Silva, simples e humilde, mostrou que já merece uma oportunidade como técnico titular. No Vitória ou em outro grande time qualquer. O cara sabe fazer de brim-coringa terno de casimira inglesa. Alinhava em um só treinamento um esquema bem costurado e agradável de ver. O time dele joga de forma vertical, pra cima do adversário, procurando o gol o tempo inteiro.


Vejam bem: não estou dizendo que o jogo desta quinta-feira, com Ricardo no comando, já mostrou um Vitória imbatível; eu até acho que o rubro-negro vai encontrar sérias dificuldades no Serra Dourada, contra o Goiás, que é o favorito, porque dentro de seus domínios o alviverde do Brasil Central joga barbaridade. Até porque o Vitória vai debilitado, sem alguns titulares. Mas, pelo menos, é quase certo que se perder não será por invencionices.


Creio que Wagner Mancini, que está voltando, a quem não subtraio a capacidade de bom treinador – como também reconheço méritos no que se foi, Paulo César Carpegiani -, tenha a humildade de se espelhar no interino Ricardo Silva e volte a fazer do Vitória aquele time brioso do primeiro turno do Brasileiro passado, onde a simplicidade e a coragem foram sempre armas de realce.


No futebol o simples é fácil se assimilar e muito bonito em se ver aplicado nas quatro linhas.