PROVIDÊNCIAS JÁ
Não sou adepto a que cronistas andem indicando jogadores nem técnicos, mas, também, não posso deixar passar em branco a atual situação do Vitória, que em quatro dos últimos oito anos (2003, 2004, 2008 e agora em 2009), tem sido o nosso único representante em Brasileiros da Série A, o que é muito pouco para um futebol que parece se resumir a reminiscências.
O que acho pertinente é alertar para que sejam adotadas providências urgentes, quando ainda temos 21 jogos (63 pontos, dos quais 33 em casa) até o final da competição e o Rubro-negro pode perfeitamente retomar aquela trajetória de bons resultados, há seis ou sete rodadas completamente desfeita, porque nos últimos 21 pontos só foram conquistados cinco, o que chega a ser ridículo para quem pretende terminar, como no ano passado, em boa colocação.
Parece-me que o técnico Paulo César Carpegiani já não tem mais comando sobre o grupo, diante de tantos desencontros entre ele e os jogadores. Suas constantes mudanças táticas, muitas delas descaracterizando o estilo de atletas, como tem acontecido com Apodi, de ótimo ala-direita improvisado como atacante, Bida e Jackson, de meio-campistas orientados para atuar no ataque e nas laterais.
Mas, além dessas experiências que poucos entendem e aprovam, há, também, uma insatisfação generalizada, com jogadores reclamando contra essas atitudes laboratoriais e o técnico dizendo que não tem um grupo qualificado e que, por isso mesmo, já era de se esperar essa queda de produção da equipe.
Aliás, este tem sido o meu maior questionamento - contra a incoerência -, porque, logo depois daquele extraordinário resultado contra o Santos, em entrevista de TV fechada, PCC falou maravilhas sobre o Vitória: que a bela campanha era fruto de um grupo jovem e de qualidade, que o clube tinha todos os ingredientes de continuar levando em frente uma campanha digna dos mais competentes da Série A. Agora, o discurso é completamente diferente: que faltam peças de reposição e que os recursos técnicos são duvidosos.
Será que a maioria dos jogadores desaprendeu a jogar futebol? Ou será que está precisando de uma tomada de posição da diretoria? Fico com esta segunda opção. A mim não interessa quem venha substituir a PCC ou se ele deve continuar, mas que muita coisa parece errada, isso não resta a menor dúvida.
Falei em comentário de rádio e não vou desfazer o que disse: até agora, nesta temporada, o melhor momento do Vitória, foi com o interino Ricardo Silva, com o time jogando solto, livre de amarras táticas e com a leveza de um sempre muito vencedor. Há os que se contrapõem argumentando que era um sempre previsível estadual, em que somente Bahia e Vitória disputam o título, mas acho que, do jeito que o nosso tricampeão está jogando nesta sua depressão, teria sido difícil impor a sua melhor categoria sobre qualquer um dos semifinalistas do campeonato local.
O Vitória atual erra todos os fundamentos elementares: defesa bagulhada, sem qualquer tipo de definição de quem fica e de quem vai para a marcação, meio-campo inseguro, errando praticamente todos os passes, ataque inexpressivo e sem poder de fogo.
Espera-se, portanto, que algo de novo aconteça nas bandas do Barradão, pois não se trata apenas da goleada sofrida contra o Barueri, nem a anterior diante do Avaí, ambas por 4 x 0. O mais grave é que o time está despencando de forma tão acelerada que, se não houver um basta, vai ficar difícil até se manter na primeira divisão. Não se trata de maus presságios, pois ainda há tempo suficiente para sacudir o grupo e resgatar a confiança da torcida.
Afinal de contas, há clubes menos expressivos, sem o mesmo potencial, que levam em frente melhores campanhas e que não se deixam abater com essas crises que estão se tornando cada dia mais concretas e aparentes.
Já não resta mais outra alternativa para os dirigentes: providências já.