À PROCURA DO PONTO G
Há três rodadas o Vitória joga muito bem, domina o adversário, cria inúmeras oportunidades, mas não consegue encontrar o ponto g em toda sua plenitude. Foi assim nos empates contra o Náutico, lá nos Aflitos, diante do Atlético/MG em Salvador e nesta partida contra o Corinthians, no Pacaembu. E se o ponto g é o máximo no ato sexual, tão glorificado por homens e mulheres, o gol é a apoteose do futebol.
De todas as possíveis justificativas, a mais visível delas é que o atacante Roger, atualmente um dos principais artilheiros da competição, entra em pane na hora de levar a sua torcida ao orgasmo, e já está ficando bem claro que o técnico Paulo César Carpegiani tem que prescrever um remédio para superar esse incômodo drama. Quem sabe a utilização de Neto Berola ou Robert, que vieram como goleadores do Itabuna e do Atlético ou, então, uma chance definitiva e concreta aos meninos Itacaré e Elquisson, que são outros atacantes disponíveis no clube.
Terminado o jogo contra o Corinthians (1 x 2), ouvi inúmeras justificativas, umas justas, outras inconsistentes, algumas até ditadas pela paixão. Teve um torcedor que chegou a dizer que nenhum dos oito gols marcados até aqui pelo Roger foi por mérito ou competência. Que uma bola bateu na barriga e entrou, que a outra só foi gol porque o goleiro falhou, que ele foi cruzar e entrou na meta adversária. Outro culpou toda a zaga, encontrando erros de marcação e de postura, como se o único gol rubro-negro tivesse sido uma exceção.
O certo é que o rubro-negro, há três rodadas, joga como um futebol envolvente, taticamente muito bom, cria um montão de chances, mas se complica na hora fatal – e Roger tem sido o ator principal de uma comédia que tem desapontado a torcida. Pior de tudo é que, a esta altura do campeonato, com 13 rodadas já realizadas, está muito difícil se encontrar um homem-gol capaz de chegar sob a expectativa real de resolver a questão. Quem é bom está jogando, quem sobra é porque tem algum problema de ordem técnica, física ou disciplinar.
Seria então o momento adequado de o treinador, que fora aqueles deslizes da Copa do Brasil tem sido muito coerente, encontrar uma solução caseira capaz de recuperar o terreno perdido. Foram nove pontos disputados e o Vitória só conquistou dois nos empates contra o Náutico e contra o Atlético. Outra coisa: é uma questão também de fase, porque com 22 gols marcados até aqui, não se pode dizer que seja uma dificuldade permanente.
O esquema montado por PCC é muito pertinente. Marcação na saída do adversário, jogo eficiente pelos lados do campo, chegada ao ataque com três e até quatro jogadores. Então, vai ser preciso apenas superar este percalço, gerado desde o ano passado com a inconstância de um camisa nove como titular. Dinei estava dando certo e foi embora, Neto ocupou bem a posição e também teve que se transferir. No resto, o time mostra que tem chances de brigar por uma boa posição.
Este, aliás, é um final de semana muito importante para o futebol baiano nas duas séries: o Vitória precisa vencer o Coritiba no domingo, para não se distanciar do G-4 e o Bahia tem que ganhar do Vasco, neste sábado, para se aproximar do pelotão de frente.
Sobre o tricolor, o que preocupa mesmo é essa confusão de confecção e venda de ingressos, que já exige uma solução definitiva para tranqüilizar a imensa e fiel torcida.
É outro ponto g que precisa ser encontrado. Porque o ponto g do futebol, além do gol em sua expressão máxima, passa, também, pela organização e eficiência de planejamento.