CRISE DE VALORES E IDEIAS
O que mais preocupa no Bahia não são os resultados negativos em si, como foram nos quatro últimos jogos, quando além de não ganhar mais de ninguém (derrota de goleada contra o Brasiliense, empates contra Ipatinga e Duque de Caxias e este terrível insucesso de 1 x 0 diante do Figueirense).
A grande frustração que nos invade, sejamos cronistas ou torcedores, é que o nosso tricolor tem sido tão frágil que está ficando difícil qualquer esperança de uma recuperação caso não seja tomada logo uma medida radical para alterar o percurso das coisas. Até mesmo quando está jogando contra adversários reduzidos em campo, como ocorreu nesta última partida, em Pituaçu, fica tudo muito claro de que o time não tem talento, que os reforços não correspondem e que as mudanças são sempre para pior.
Sei que as duas torcidas não gostam de comparação, mas foi um próprio tricolor quem fez críticas severas ao time, mostrando, através de jornada de rádio que o Vitória perdia para o Flamengo, mas jogava com dignidade e continuava explicitando todo tipo de esperança pelo bom time que tem e pela campanha plenamente satisfatória que faz, enquanto o seu clube de coração era um bando em campo, tinha todas as facilidades de fazer placar contra o Figueirense, mas que demonstrava inquietação, falta de competência e de técnica bem abaixo das tradições do velho e temido Esquadrão de Aço. Este sentimento foi prático, coerente com o que aconteceu e muito sensato de quem o externou.
O Bahia precisa adotar medidas urgentes para não ter que ficar ameaçado de cair para a terceira divisão, porque a esta altura tudo leva a crer que vai ser uma batalha insana lutar para figurar entre os quatro classificáveis. O olhem que este ano o Bahia entrou como um dos maiores favoritos, seguramente tendo como grande rival apenas o Vasco da Gama que, também, anda muito vacilante. Este campeonato da Série B é um dos mais fracos destes últimos anos e o Bahia não está sabendo aproveitar essa situação.
A demissão de Alexandre Gallo foi consumada desde sábado, quando o gestor Paulo Carneiro já anunciou sendo posteriormente desmentida pelo presidente Marcelo Guimarães Filho, o que demonstrou mais uma vez a falta de sintonia dos dirigentes. Mas me parece que o técnico não tenha sido o único culpado. Eu até concordo que estava ficando clara a falta de liderança sobre o grupo, com jogadores reclamando quando não jogam e a torcida pedindo sistematicamente a sua cabeça. Mas o problema é muito mais sério, porque engloba o projeto e a política diretiva. Os dirigentes se desentendem, as decisões não apresentam firmeza e o time em campo é um reflexo de todos esses deslizes. Além de não ter jogadores de referência, que imponham respeito diante das outras equipes pretendentes às quatro vagas.
Eu já vi o Bahia entrar em campo ganhando de goleada só pela tradição, pela fama de time matador e de chegada, que não temia quem quer que fosse, aqui ou lá fora. Agora, parece não assustar ninguém, com times fracos e sem história fazendo armadilhas que acabam dando certo.
Sobre o Vitória, que perdeu de 2 x 1 para o Flamengo no Rio, mas que jogou bem e mesmo com a derrota se manteve no pelotão de frente, falo depois. Porque a maior preocupação mesmo é o Bahia cuja estrela de que nasceu para vencer estão querendo apagar.
Mas se os atuais dirigentes tiverem um mínimo de bom senso vão refletir e tomar medidas que possam sanear esta lamentável crise de valores e de idéias.