ENTENDER É PRECISO
Antes destes jogos de fundamental importância – Bahia-Figueirense e Vitória-Flamengo -. Apesar de achar o Bahia favoritíssimo e o Vitória um eficiente e tranquilo franco atirador, eu só queria entender alguns assuntos que ficaram muito pendentes durante toda a semana.
Considero o Bahia favorito porque joga dentro de seus domínios contra um adversário e menor tradição e tecnicamente inferior. O nosso bicampeão brasileiro poderá conseguir uma bela vitória e ficar até no G-4 de sua segunda divisão. Já o rubro-negro, não. Mesmo tendo acumulado uma gordurinha para se manter no pelotão da frente, pega no Rio um Flamengo em franca recuperação e com o Imperador Adriano ditando as normas de ataque, de arbitragem e de força da mídia carioca. Contra o Fluminense, na semana passada, só não fez uns três gols por mera falta de sorte. O Vitória pode até empatar ou ganhar, mas o Flamengo é um favorito inquestionável.
Agora, entro no meu primeiro questionamento: ainda não entendi, porque anda tudo muito nebuloso e sem esclarecimento dos motivos reais que levam o meia Léo Medeiros a ser banido do Bahia. Porque foi assim que o técnico Alexandre Gallo deu a entender em uma entrevista a emissora da Baixada fluminense, após o empate contra o Duque de Caxias, que o excelente companheiro Wilton Matos trouxe em gravação. “Ele deveria saber porque está afastado do grupo, pois já poderia mesmo ter sido descartado do Bahia”. Mas, no dia seguinte, falando na Itapoan FM, o próprio Léo Medeiros vagou muito, disse que não há nada – nem o presidente, nem o treinador, ninguém mesmo revelou os motivos do anunciado desenlace. E pensar que outro dia Medeiros era considerado um craque que veio para resolver os aflitivos problemas tricolores de municiamento de ataque.
O outro assunto refere-se ao gestor do Vitória, Jorginho Sampaio, que acaba de receber a imposição da Justiça em ter que se retratar à auxiliar de arbitragem de Rondônia, dona Márcia Bezerra, por haver sugerido que ela, ao não assinalar um gol do seu clube contra o Palmeiras, deveria ser condenada a só apitar jogo de mulheres. E se não o fizer a pena estabelece uma multa de R$ 250 mil, um quarto de milhão de reais!
Outro dia, abordei isso aqui e um torcedor me criticou dizendo que eu havia defendido Jorginho quando, na verdade, disse que discordava de que mulher erra mais do que homem (e até afirmei que era seu único erro). Mas torcedor é isso mesmo e tem todo o direito de colocar pra fora as suas tendências: se é Vitória tudo que se faz no Bahia está errado; se é Bahia, tudo que sai do Vitória é podre e maléfico.
O que volto a não entender – e então vale para adicionar ao meu primeiro comentário – é como essa punição a Jorginho saiu de forma tão rápida, batendo todos os recordes de tempo e de ação. E pensar que ainda hoje estão sem qualquer solução os diversos casos de jogadores brancos que chamam os adversários negros de “macacos”, do dirigente que acusou o jogador do clube rival de homossexual e dos que andaram dispensando atletas por causa da cor da pele. Todas essas coisas aconteceram ao longo desses últimos 10 anos de futebol e ainda hoje nenhuma solução foi adotada.
Quero deixar bem claro que não contesto a decisão do Ministério do Trabalho, até porque a autoridade que adotou a punição é muito competente e isenta, mas o que eu questiono é que o gestor rubro-negro não foi o primeiro a criticar arbitragem feminina.
O outro assunto volta a ser o Bahia: esse negócio de venda de ingressos para os jogos de Pituaçu está ficando uma grande aporrinhação. É preciso que o Governo do Estado entenda que o Bahia é o dono dos jogos e o Estatuto do Torcedor lhe dá todas as garantias de autonomia sobre o desempenho à frente das bilheterias.
O atual processo é igual a um sujeito alugar um imóvel para morar e todo dia ter que suportar o proprietário invadindo a sua casa para determinar o que se deve fazer: O tipo de comida, a hora de acordar, se os meninos vão estudar de manhã ou de tarde, se marido e mulher podem namorar na cama ou no sofá...