IMPRESSÕES QUE FICAM
Várias foram as impressões produzidas neste final de semana do futebol local, brasileiro e internacional. Do Galícia, do Bahia, do Vitória, do Brasileirão e da Seleção Brasileira. De sexta a domingo a bola rolou e quem ficou atento aos detalhes pode perfeitamente tirar preciosas conclusões.
A primeira é que o Guarani de Campinas, que tem batido uma lata miserável nestes últimos tempos, parece que reencontrou o seu caminho de campeão brasileiro e faz uma irretocável campanha na Série B. Ganha dentro e fora de casa, em oito jogos ganhou sete e empatou um, 22 pontos, ainda invicto, líder disparado, só mesmo castigo para deixar de conquistar uma vaga para voltar à elite.
Em contraparida, dois outros campeões nacionais, Vasco e Bahia, parece que não encontram o rumo de suas intenções. O Vasco até que já caiu na real e anda prometendo uma reunião para rever conceitos e corrigir desníveis. Promete fazer contratações de peso e adotar medidas logísticas que atendam às necessidades momentâneas.
O Bahia, ao contrário, demonstra insistir nesta política equivocada em trazer reforços ou desconhecidos cansados de guerra, muitos deles lesionados para se recuperar no Fazendão. O empate com o modesto Duque de Caxias, que a gente nem sabia existir antes do Carioca deste ano, foi comemorado pelo técnico e alguns jogadores como ótimo resultado. Na verdade, foi mais um passo atrás na caminhada para a primeira divisão. Tanto aqui quanto lá o Bahia tem que ser o favorito, impor sua melhor história, construir um triunfo convincente. Mas o que se viu foi um zero a zero arrastado, cujo saldo ficou por conta de uma bola na trave em oportunidade perdida por Beto – e com o goleiro Fernando sendo o melhor jogador em campo. Isso é muito pouco para um clube que, há 15 anos atrás era temido pelos seus adversários mais fortes. Acho então que chegou o momento de se tomar posições coerentes e definitivas sob pena de permanecer gravitando o futebol de segunda. E pode ser até que o técnico Alexandre Gallo esteja errado em seus serviços, mas há outros problemas muito mais latentes que passam pelas contratações sem brilho e pela metodologia de estratégia diretiva.
O velho Galícia, ex-demolidor de campeões, que começou sob muitas promessas e expectativas de voltar à primeira divisão local, acabou ficando na metade do caminho, nem se classificando entre os quatro semifinalistas, que são Guanambi, Bahia de Feira, Juazeirense e Camaçariense. Vai ser preciso repensar os métodos para a próxima tentativa.
No domingo, a nossa Seleção conquistou mais um título, o da Copa das Confederações, no sufoco é claro, mas conquistou. O primeiro tempo foi uma decepção, mais parecia aquela decisão de 98 com a França e aquele jogo com os próprios franceses, em 2006, quando voltamos de mãos abanando. Mas, agora, contra os States, ainda tivemos força e sorte para lograr uma bela virada de 3 x 2. Bem que poderia ter sido uma rolha de 4 x 2, porque aquela bola de Kaká entrou e o bandeirinha andou comendo moscas. Aliás, os mesmos caras da tevê que desculparam a arbitragem naquele jogo que o Vitória andou fazendo um gol parecido contra o Palmeiras, neste domingo, soltaram fogo pelas ventas, xingando o bandeira, maltratando o árbitro, quase dando um piripaco em Joanesburgo para os que estavam lá e no estúdio para os que estavam por aqui mesmo.
Falar em companheiros televisivos foi uma lástima assistir (gravei por ossos do ofício) o jogo do Maracanã, o Fla-Flu. Porque há neste momento uma campanha dirigida para Adriano, o Imperador, marcar muitos gols e voltar à Seleção. Pelo menos, em três oportunidades perdidas, estava em completo impedimento e os cidadãos justificavam, sem a menor cerimônia, “mas ele veio de trás”.
O Vitória, aliás, vai ter que provar desse veneno no próximo fim de semana, lá no Engenhão. O bom é que o rubro-negro daqui já fez uma gordurinha e mesmo que tropece, não sai do pelotão de frente. Seu triunfo de 4 x 1 sobre o perigoso Santo André foi inquestionável e Paulo César Carpegiani, que andou causando muitos desapontamentos naqueles dois jogos de Copa do Brasil contra o Vasco, agora já soma muitos créditos, não apenas pela ótima campanha do time, mas, também, pela coragem de dar chances aos garotos da base. Esse menino Elkisson, como Victor Ramos, Uéliton e Walace, é uma gratíssima revelação. A única coisa que se deve advertir é não querer que ele ande resolvendo as coisas em todos os jogos.
Para não cair naquela de que foi apenas uma mera impressão.