SUFOCO E DECEPÇÃO
Cada um dentro de seu status, Vitória e Botafogo repetiram o jogo da Seleção Brasileira contra o Egito. Coincidentemente o placar também foi de 4 x 3. No sufoco, na sorte, sem merecer pelo que jogaram Brasil e Vitória no segundo tempo. No jogo do time de Dunga, foi preciso uma ajuda extra-campo, com alguma pessoa ainda não identificada informado ao árbitro que um lance muito confuso teria sido pênalti, enquanto a vitória da equipe de Carpegiani só aconteceu graças a um lance lotérico em que Apodi apareceu e cabeceou para vencer o goleiro do Botafogo.
Feita esta comparação, vou me limitar, agora, a explicar o que vi no jogo Vitória 4 x 3 Botafogo/RJ, no Manoel Barradas. Vitória bem no primeiro tempo, com Roger desencantando e fazendo dois gols, o menino Adriano tirando 10% do descontentamento da torcida, porque andou errando muito nos outros lances que participou, a defesa rubro-negra meio desatenta, com o garoto Victor Ramos nervoso e o setor de armação um tanto dispersivo, com Leandro Domingues muito abaixo de suas reais possibilidades. E por esses senões, o jogo foi para o vestiário com 3 x 2, um placar incômodo e aberto para quem chegou a colocar uma vantagem de dois gols. Mas o triunfo parcial era incontestável, portanto merecido.
Aí veio o segundo tempo e o Vitória e Carpegiani erraram mais até do que podiam. Eu até concordo que, no final, o técnico mostrou que tem sorte e o time foi bafejado pelos anjos de asas boas, com aquele gol de Apodi. Porque o Botafogo empatou e só não deu uma inesperada surra no Vitória, por causa do goleiro Viáfara, que fez milagres, defendendo bolas de mãos, de pés, de tudo que foi jeito.
Há coisa que não entendo mesmo: o Vitória ganhava o jogo por 3 x 2, o Botafogo em cima, jogando pelos trâmites legais (tocando, abrindo espaços, lançando em vertical ou pelas laterais) e o rubro-negro acuado, tentando fazer ligação direta, quando PCC resolveu fazer as mudanças mais estranhas possíveis: a cada momento metia mais um atacante, com Roger no lugar de Adriano (compreensível), mas Edson no de Roger e Neto Berola no de Leandro Domingues. Diacho, pra que então levou Ramon Menezes e Magal pro banco? Se o time ganhava de três e o problema estava no meio-campo, será que as providências não teriam sido mais eficazes se fossem feitos reparos no sistema de armação? Sempre esteve muito claro que havia necessidade de um cara para dosar o jogo e fazer lançamentos e passes de qualidade (Ramon) e outro para dar melhor saída da frente da zaga (Magal).
Mas como Apodi fez aquele gol, o Vitória ganhou e se mantém entre os quatro melhores do campeonato, após 21 pontos disputados, com um aproveitamento de 61%, tenho certeza que já tem gente dizendo que tudo foi feito de forma correta e providencial.
O Bahia empatou com o Ipatinga e foi uma decepção, nem tanto pelo empate, mas pelo péssimo futebol que exibiu. Na verdade, em jogo morno, foi o time de Minas quem ditou as cartas táticas. O Bahia não teve vibração, não teve ambição, pareceu um grupo de jogadores desses que são formados aos domingos para amistosos festivos no interior, sem qualquer tipo de compromisso prático com a torcida.
Vou dizer uma coisa que vai doer entre os torcedores mais fanáticos, mas esse é o meu sentimento e pronto: se o Bahia está pensando que vai subir com o futebol de jogadores como Joelson, que não sei quem foi o infeliz que o descobriu, e do menino Roberto, ainda muito imaturo e inconstante, pode preparar logo o planejamento para uma nova segunda divisão, ano que vem, porque o seu destino vai ser ficar transitando o tempo todo na zona intermediária. Esse Joelson caiu duas vezes em campo e andou fazendo passes completamente equivocados e Roberto me parece mais uma tentativa desesperada de descobrir um talento na base, como já fizeram com Paulo Roberto, Ananias e Ávine.
Mas o problema tricolor não fica nestes dois rapazes, porque passa, também, por Evaldo, Alex Terra e o próprio Rubens Cardoso, de futebol previsível e sem o brilho que tanto se esperava.
Mas como ainda só chegamos a um quinto da competição, com mais cuidado e critério nas próximas contratações e coragem para trazer jogadores que realmente pesem fora e dentro de campo, não vejo motivos para que o desespero tome conta de tudo. O que disse, repito: é não continuar pensando que tudo está resolvido e cruzar os braços.